Eu não tenho culpa, viva a diferença – por Marco Alevato

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Eu não tenho culpa, viva a diferença

por Marco Alevato

Assistindo a eliminação do último paredão do BBB 21 desta terça-feira, dia 06 de abril, me deparei com uma realidade que estava tentando esconder: a de que estão tentando destruir uma geração inteira.

Fico pensando como deve sofrer uma pessoa que em tudo vê ofensa, que duvida de tudo e em nada acredita. Onde toda diferença deve ser escondida, onde não existe mais espaço para uma comparação ou mesmo uma brincadeira. Tudo é considerado ofensa e, por tanto, abrindo espaço para o vitimismo que, inclusive, está tão na moda. Não se pode falar da estatura ou do cabelo de alguém, não se pode falar de nenhuma característica pessoal. Entendo que seria para criar um padrão robô onde todos são iguais.

Onde a função do bem-estar e do sobreviver cabe ao outro e não aquele que precisa, onde tudo é fácil, onde não se precisa aprender por conta dos buscadores de resposta automáticas no telefone e nos relógios. Precisamos prestar atenção se não estão fazendo isso com a intenção de aniquilar toda uma geração, e nesse caso eu estaria incluído.

Falta espaço para uma opinião. Minha opinião pode desencadear a destruição de um individuo, por simplesmente falar que ele é de uma região da Itália ou da Polônia – sem falar da região que fica ao sul da Europa – esta então, nada se pode falar, que passa a ser um preconceito racial. Um continente inteiro condenado a ser tratado como diferente.

Existe uma lenda que fala dos porcos selvagens, quem não conhece deveria procurar no mesmo sistema de busca que está fazendo essa compilação de informações que antes eram restritas a ambientes familiares ou entre amigos.

Esse sistema de busca está criando verdades absolutas, que quando analisadas não levam a lugar nenhum. Apenas ao conhecimento do mesmo. Se o individuo de qualquer dos muitos, dois gêneros, pintar o cabelo de laranja, eu não posso me referir ao cabelo laranja porque seria uma ação segregatória. Mas, pintar o cabelo de laranja já não é uma ação segregatória?

A rigidez imposta por essas ações de marketing, de uma falta de flexibilidade onde falsas verdades criadas por indivíduos sentados em ambientes refrigerados, para dizimar o ódio entre os iguais transformando-os em diferentes.

Estamos vivendo o apocalipse social. Não vejo saída fácil para esse dilema. Eu não tenho culpa do seu cabelo, da sua cor, da sua estatura seja ela qual for, do seu grau de instrução, do seu paladar ou do seu entender sobre o desenvolvimento humano. Se a terra é redonda obviamente não se discute, ou se discute isso também? A verdade é que eu cuido do meu e você do seu.

Não me venha dar lições de moral, que você não consegue sem apelar aos gritos, ao choro, às ameaças e ao vitimismo. Procure suas origens nos livros de história, uma discursão absurda como essa em alguma época de nossa existência humana no planeta Terra. Esse planeta é o único que conhecemos.

Estamos vivendo a idade em que não se sabe geografia, história, a língua nativa e a tal da matemática, mas querem nos por goela abaixo conceitos criados por uma comunidade ativista que vive às custas de quem entende que somos iguais nas diferenças.

Prepare-se para uma grande batalha ideológica que está chegando, que será o ato de andar para frente. Será um desconforto para os que ficaram para trás. Querem uma aprovação do coletivo, antes mesmo da aprovação pessoal do individuo.

Eu fico muito triste com isso, pois meus direitos estão sendo violados e agora nem tenho para quem reclamar, não me adequo a nenhuma das tribos. Minha tribo erra e conserta, nos entregamos e entendemos na magia do trabalho, e não na ação dos movimentos, pois, acreditamos na construção e não na desconstrução.

O coletivo é maior que o individuo. O individuo é assim com erros e falhas. Podemos ser felizes, podemos não ser. Cabe a cada um criar o seu universo e aos que se encaixarem ou não. Eu não quero saber o que você pensa a respeito da minha opinião. Por isso ela é minha. Não gostou, muda de sala. Me deleta do seu facebook e não conversa mais comigo. Só não venha pedir para eu me desculpar, eu não vou, nossa relação já se foi…

Minha geração teve tantos personagens como Grande Otelo, os 3 Patetas, John Wayne, Chico Anísio, os Trapalhões, Casseta e Planeta, Rogéria, Roberta Close, Hebe. Dancei com o Cazuza e cantei com o Fred Mercury, além de tantos outros que encantaram a minha vida até outro dia. Quando uns indivíduos totalmente despreparados, muitos eternos desempregados, vieram dizer que tudo que eu aprendi estava errado e que o certo é o que eles vão fazer, mas que isso não inclua a cama ou a louca depois do jantar.

Já dizia um provérbio que tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos e homens fracos criam tempos difíceis.

Efeito G e efeito A. Em um você acha tudo, no outro você compra tudo. Com alguns cliques você tem suas compras, a informação, mas não o conhecimento. Clique aqui e ali e você tem isso ou aquilo, tudo no mouse, tudo no teclado. Está mais fácil viver. Será?

Estamos vivendo melhor, nunca se teve tantos casos de depressão e de estresse, doenças graves da mente. Enlouquecida porque sabe que essa corda vai pior e aí, onde se planta batatas, onde nasce o leite de caixinha, onde se compra, onde? A loja fechou. O experimento social faliu e se fragmentou em dois lados. O desse lado e o do outro lado, independentemente de onde você esteja, você está errado.

Geralmente não entro nessas polêmicas, mas essa história do cabelo do fulano já deu, não é?

Como sou italiano de Roma, no meu sangue tem o conhecimento que tudo passa. Essa mediocridade vai passar. Os medíocres não vencerão. Nem tudo que aprendi está errado.

Eu tinha apelido, sempre tive e carrego em meu coração com muito carinho. Pergunte nas escolas que estudei, nas academias que lutei, nas praias que frequentei, pergunte para minha mãe ou para mim @marcoalevato

Pensa aí!