Whatsappinite – a síndrome de quem usa excessivamente o celular – na revista Facebrasil 81

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Nos últimos anos, um número bem acima do normal de pessoas passou a frequentar consultórios médicos reclamando de dores excessivas nas mãos, punhos e polegares. Os médicos logo perceberam que o problema estava ligado diretamente ao uso prolongado do celular para ler mensagens, usar aplicativos, jogar e, principalmente, digitar. Os profissionais de saúde decidiram chamar essa enfermidade de “WhatsAppinite”.

Um estudo publicado no periódico The Lancet em 2014 apontou que o uso excessivo do celular aumenta o risco de desenvolver quadros de tendinite, tenossinovite e osteoartrite nos dedos, mãos e punhos.

As dores começam devido à repetição contínua dos movimentos. Geralmente, elas surgem após muito tempo (meses e anos) de uso excessivo do celular. Quando no início, as dores geralmente são nos músculos da mão e estão ligadas à mialgia. Na sequência, elas podem evoluir para uma artrite, inflamação da articulação do polegar, e finalmente uma tendinite, que é a inflamação dos tendões do polegar.

Apesar de as dores irem se tornando cada vez mais fortes, muitos acometidos pela “WhatsAppinite” não dão importância ao problema e, no máximo, tomam um relaxante muscular ou outro remédio para dores – e seguem presos ao celular. Mas não tratar corretamente a doença pode fazer com que a inflamação danifique os tendões e articulações dos dedos e do punho.

Crianças e adolescentes são muito afetados

É raro encontrarmos crianças ou adolescentes que não passem horas mexendo no celular. De certa forma, os pais ficam tranquilos, pois acham que eles estão se divertindo e sem riscos, mas, em muitos consultórios, está se tornando habitual a presença deles reclamando de dores, e o diagnóstico é “WhatsAppinite”.

Os especialistas afirmam que não é preciso proibi-las de usar o aparelho, mas devem, sim, diminuir o número de horas, preenchendo com outras atividades, como ir ao cinema, brincar ao ar livre, ler, praticar esportes, etc.

Escritório na palma da mão

Para muitos, o celular virou quase um escritório literalmente na palma da mão. Afinal de contas, com ele, é possível resolver uma série de questões relacionadas ao trabalho, mesmo estando a milhares de quilômetros do escritório. Porém escolher, entre a saúde e a praticidade, não é possível optar pela segunda opção, e antes que o problema se agrave, é preciso reduzir o número de horas trabalhando com o celular e encontrar outra alternativa. Novamente, é preciso enfatizar; trata-se não de parar de usar, mas de diminuir.

Tratamento

A pessoa que está sentindo dores frequentes nas mãos, punhos e polegares deve buscar ajuda médica. Em alguns casos, apenas com a redução no tempo de horas com o celular nas mãos e o uso de anti-inflamatórios por alguns dias a melhora já será notada. Em situações mais graves, será necessário fazer fisioterapia. O uso de compressas geladas no local da dor também é eficaz.

Tempo ideal

Os especialistas recomendam que, toda vez que a pessoa passar 45 minutos usando o celular, faça uma parada de 15 minutos, mas, caso esteja com dor, é necessário largá-lo até que a dor desapareça.