Vamos começar tudo outra vez – por Marco Alevato

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Essa semana chegamos ao número zero de novos casos de Covid-19 em Orlando. Será que conseguiremos, enfim, sair do ano de 2020? Vamos aguardar mais um pouco para comemorar. 

Tanta coisa aconteceu nesses 18 meses, praticamente aprendemos a ter mais paciência, a observar mais o todo e, no meu caso, comecei a observar os pássaros. Não me tornei um Birdwatchers, mas é exatamente sobre os pássaros que gostaria de falar hoje. 

Desde que essa loucura toda começou, tenho me dedicado mais a pensar e avaliar muitas coisas. Passei a escrever para ver se as pessoas conseguem acompanhar meus pensamentos, a observar meus relacionamentos, e a não viver na roda girando pratos a 1000 por hora, que era como eu vivia até fevereiro de 2020.  

Onde o tempo era controlado pelos meus compromissos e meus compromissos controlados pelas demandas externas, mesmo sem o meu querer. As coisas se  sucediam de forma frenética, uma depois da outra e depois outra. No meio disso tudo, fazia o meu melhor, para como um equilibrista de pratos não deixar nenhum cair. Mas, também observei que para mim, o importante deixou de ser o show e passou a ser os pratos ,  não me importava mais com a plateia, somente com os pratos girando e o barulho das varetas. Quando chegou a pandemia com força total, fomos obrigados a parar de uma forma abrupta. A plateia foi se silenciando e eu não tinha mais os pratos para me distrair. 

Comecei a prestar mais atenção nos pássaros, em seus ninhos, suas crias e recrias. Nesses 18 meses vi várias revoadas saindo dos ninhos, mas passei a prestar atenção nos corvos enormes que roubam os ovos dos pássaros menores. De forma deliberada e orquestrada, um ataca o pássaro que defende o ninho, nisso outros corvos roubam os ovos e levam para seus ninhos. Daí, vem o falcão que ataca o ninho dos corvos. E, como em uma música, as coisas vão se sucedendo dia após dia. O mais interessante é que os pássaros não acabam e os corvos também não, eles de forma harmônica se equilibram e a vida segue. Não posso deixar de destacar as águias que em seus voos rasantes sequestram os patinhos no meio do lago, deixando sem defesa a mãe pata, para levar comida para as águias filhotes que gritam de fome o dia todo. Para completar esse cenário, ainda tem os esquilos que comem os ovos de todo mundo e são caçados pelos falcões e pelas águias.

Moro na mesma casa por mais de um quarto de século, e precisou de uma pandemia para eu prestar atenção nisso tudo que sempre esteve disponível do lado de fora da minha janela, além também do azul do céu, que é lindo. Tantas coisas que perdi para ficar girando pratos para meu entretenimento. Sim, não foi para minha carreira ou para minha realização, eu fazia pelos pratos não era mais pelo show.

Outra coisa que comecei a entender: quem era a plateia. A ausência dela, me fez ver que não fazia muita diferença, nem o quanto importante era quem estava sentado na quarta ou na primeira fila da minha audiência. Para mim e para os pratos, era a mesma pessoa. Descobri que elas fazem parte do processo, assim como os pratos e as varetas. Elas giram mais rápido ou mais lentamente, dependendo de quem as observa. 

A verdade é que precisamos acreditar em algo, em um remédio milagroso, em um esquema milionário, em uma mudança de cidade ou de um país, e que isso vai fazer alguma coisa mudar. 

A verdade é que o todo é a mente, e que o universo que você cria está presente primeiro em sua mente. Em ações na bolsa do dono da fábrica de carros elétricos, no bitcoin, e, assim, vamos criando um monte de ilusões. Cada hora aparece um messias e um processo mágico, que em toda a sua existência não saiu da esperança, pois, essa sim, é a última que morre. 

Existe a realidade que percebemos, outra que é oculta, mas o todo engloba isso tudo, aquilo que vemos e entendemos, e o que nos passa despercebido mesmo estando lá.

 O pássaro pode mudar seu ninho, mas não pode mudar os outros pássaros, não pode mudar os esquilos e todos os outros predadores que vão atacar seu ninho e comer seus ovos. Independentemente dele lutar ou não. 

Então, já que isso foi escrito, foi inclusive falado pela sua avó, tome a iniciativa de transformar o seu todo consciente, se afastando das pessoas tóxicas, dos projetos sem um propósito imediato, dos relacionamentos obsessivos. 

Pare de prestar atenção no girar dos pratos e comece a prestar atenção nos pássaros, no show diário da vida. Em tudo aquilo que fica bem, além do nosso mundo material. 

Faça uma lista de quem estaria comendo seu ovo, quem estaria atacando seu ninho, quem é o corvo da sua vida e quem seria o esquilo. Parece uma ação lúdica, mas, pode mudar sua vida. Existem muito mais predadores do que a gente imagina. Pessoas com a lápide pronta. Isso assusta. 

Não esqueça que o grande Sócrates, o filósofo, foi condenado à morte por:

  • Não acreditar em deuses gregos; 
  • por se unir a deuses malignos; 
  • por corromper ideias. 

Esses foram os crimes cometidos por ele. 

Em inglês temos a expressão stop-loss, que seria em tradução livre, parar de perder. 

Em português, faça isso. Pare de perder. O escambo acabou, espelhinhos não são mais novidades, não viemos das selvas. 

Mas, pare de perder principalmente a coisa mais importante que existe no universo: seu EU 

Muitas vezes o melhor remédio está na sua mão. Basta usar o Gyaku-zuki. Esse remédio sempre resolve. 

Pense nisso, você consegue.

Marco Alevato

MBA – Publisher