Tríplice perfeita – na revista Facebrasil 54

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Para tratar das questões relacionadas a sustentabilidade, é necessário maior integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável: econômica, social e ambiental.

Talvez a imagem do tripé seja a mais apropriada para ilustrar a sustentabilidade, que deve ser escorada por aspectos econômicos, ambientais e sociais – sendo que esses devem interagir de forma holística. Sem um desses três apoios, a sustentabilidade vacila, mesmo que novos pilares, como as questões culturais e tecnológicas, sejam também discutidos.

É importante verificar que esses conceitos podem ser aplicados tanto de maneira macro, para um país ou próprio planeta, como micro, sua casa ou uma pequena vila agrária.

A parte social tem a ver com o capital humano de um empreendimento, comunidade e/ou sociedade. Além de salários justos e adequação à legislação trabalhista, é preciso pensar em outros aspectos como o bem-estar dos funcionários, propiciando, por exemplo, um ambiente de trabalho agradável, pensando na saúde do trabalhador e da sua família. Além disso, é imprescindível ver como a atividade econômica afeta as comunidades ao redor. Nesse item, estão contidos também problemas gerais da sociedade, como educação, violência e até o lazer.

Quando falamos do quesito ambiental, estamos nos referindo ao capital natural de um empreendimento ou sociedade. Aqui, assim como nos outros itens, é importante pensar em curto, médio e longo prazo. Em princípio, praticamente toda atividade econômica tem impacto ambiental negativo.

Nesse aspecto, a empresa ou a sociedade devem pensar nas formas de amenizar esses impactos e compensar o que não é possível amenizar. Assim, uma empresa que usa determinada matéria-prima deve planejar formas de repor os recursos ou, caso não seja possível, diminuir ao máximo o uso desse material, assim como saber medir a pegada de carbono do seu processo produtivo, que, em outras palavras, quer dizer, a quantidade de CO 2 emitida pelas suas ações. Além disso, obviamente, deve ser levada em conta a adequação à legislação ambiental e a vários princípios discutidos atualmente, como o Protocolo de Kyoto. Para uma determinada região geográfica, o conceito é o mesmo e pode ser adequado, por exemplo, com um sério zoneamento econômico local.

Por último, vale refletirmos sobre o tripé da economia, palavra que, no dicionário, é definida como “organização de uma casa, financeira e materialmente”. Com o passar dos séculos, a palavra economia foi direcionada apenas à vertente dos negócios ou, no sentido da poupança, economizar. Esse pilar traz o retorno do significado de cuidar da casa, afincado pelos gregos na Antiguidade. São analisados os temas ligados à produção, à distribuição e ao consumo de bens e serviços, e devem-se levar em conta os outros dois aspectos. Ou seja, não adianta lucrar devastando, por exemplo.

Para segurar o tripé, existem aspectos mais subjetivos para serem trabalhados junto com a questão da sustentabilidade. Podemos analisar as questões políticas e culturais, mas sempre aceitando a premissa de que tudo está interligado – porque, de fato, tudo está.