Telemedicina – uma nova forma de receber os cuidados médicos – na revista Facebrasil 100

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Telemedicina – uma nova forma de receber cuidados médicos

por Dra. Lilian Alevato

A pandemia do novo coronavírus colocou em evidência uma ferramenta médica de prestação de serviços que muitos desconheciam – a telemedicina. O objetivo é promover assistência à população, quando médicos e pacientes enfrentam problemas em ter uma consulta presencial. A pandemia foi um cenário perfeito, já que muitos pacientes não se sentiam confortáveis em ir ao médico com o risco de contaminação e deixaram de ir às consultas. 

O que muita gente não sabe, é que a telemedicina existe há muitas décadas, não exatamente com o mesmo formato de hoje em dia, mas com o mesmo princípio – “monitorar a saúde dos pacientes”. Na verdade, a telemedicina começou nos anos 60 quando a NASA, a Agência Espacial Americana, enviou astronautas ao espaço pela primeira vez e usou a tecnologia para monitorar os parâmetros fisiológicos dos astronautas. Nascia a telemedicina.

Desde os anos 60, a tecnologia vem sendo aperfeiçoada de forma a ser aplicada em benefício da população que reside em lugares carentes de serviços médicos, incluindo especialidades que não estão disponíveis em todas as cidades, ou ainda para consultas com especialistas renomados para uma segunda opinião, ou “junta médica” em casos mais complicados.

Entre os exemplos de populações beneficiadas no passado estão os indígenas do Arizona. Em 1972 foi desenvolvido o projeto Arizona’s Papago Indian Reservation, promovido pela NASA e médicos especialistas em hospitais em Tucson e Phoenix.

Em 1984, o projeto North-West Telemedicine foi desenvolvido na Austrália para prover assistência médica para cinco localidades situadas no sul do Golfo da Carpentária, pois, não havia praticamente nenhum recurso naquela área.

Em 1989, depois de um terremoto massivo que atingiu a região da Armênia na União Soviética, os Estados Unidos ofereceram acesso de internet e telecomunicações para que telemedicina fosse possível entre Yerevan na Armênia e quatro centros médicos nos USA chamados The Space Bridge pelo Joint Working Group on Space Biology. 

Desde então, a telemedicina vem sendo basicamente usada para atender populações que ainda tem dificuldade de acesso à atenção médica ao nível local. Sempre utilizando uma base local, ou seja, pacientes ainda precisavam se deslocar para uma localidade onde a tecnologia estava presente.

Com a maior disponibilidade de telefones celulares e uma tecnologia mais acessível à população de videoconferência, estamos agora na grande fase de expansão da telemedicina.

Médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas podem se comunicar com seus pacientes de forma rápida, eficaz e privada. Não existem intermediários. Os pacientes não precisam ficar horas na sala de espera, não precisam se deslocar até os consultórios, nem estacionar seus carros. Basta agendar on-line a sua consulta e receber o aviso que o profissional selecionado está pronto para prosseguir com o atendimento. 

Não temos dúvida da conveniência do atendimento, porém, muitas especialidades ainda necessitam da consulta presencial – não há como ir ao ginecologista somente por telemedicina. A tecnologia vem como uma ferramenta adicional ao cuidado médico, mas não substitui a clássica consulta com o completo exame clínico.

A telemedicina diminui as chances do paciente ter que ir à emergência de um hospital por causas que podem ser devidamente diagnosticadas e tratadas através de uma consulta virtual. Como exemplo, cito alguns resfriados, infecção de garganta, sintomas de infecção urinária e outros mais simples. O médico tem acesso ao histórico do paciente e se sente confortável para diagnosticar e tratar.  

Na realidade, o médico estará usando duas tecnologias – a telemedicina (áudio e vídeo como método de comunicação) e o prontuário eletrônico onde todos os dados do paciente facilitam a avaliação do profissional que está fazendo o atendimento on-line.

A telemedicina veio para melhorar o acesso da população a assistência médica, porém, ainda passamos por muitas barreiras e problemas quanto a implementação dela. Pacientes idosos não se sentem completamente confortáveis com a tecnologia dos telefones celulares, não sabem como ativar o vídeo e ficam estressados só com a ideia de iniciar um atendimento virtual. Muitos nem possuem os chamados “smartphones” e são automaticamente excluídos da possibilidade de terem um atendimento direto das suas casas.

A pandemia da Covid-19 fortificou a telemedicina. Médicos e pacientes estão ainda se adaptando a melhor forma de se comunicar e manter a saúde sob controle. Veremos em breve muitas inovações, novos dispositivos monitorando sinais vitais de forma contínua e transmitindo, através de ondas pelos telefones celulares, dados sobre nossa saúde aos médicos. Teremos um melhor controle da saúde da população e poderemos planejar intervenções para melhorar a qualidade de vida.

Tem muita coisa boa pelo caminho. Tudo vai melhorar!