Talita Maia: uma estrela que é a Face do Brasil

0
149

Facebrasil deste mês encontra com uma das mais talentosas artistas brasileiras atuando no exterior, que, com inúmeros personagens, vem firmando o valor de nossa brasilidade na telona e em séries de televisão. Isso faz dela nossa homenageada na capa.

Talita Maia nasceu no Brasil, no Rio de Janeiro, e sempre gostou das artes: fez balé, escola de dança Alice Arja, aos 16 se tornou campeã de judô, conciliou as artes com o judô e a música, tocando piano clássico, e aqui ela conta sua caminhada no mundo das artes cênicas.

Facebrasil – Talita, onde você se inspirou para vir fazer carreira na Califórnia?
Talita Maia – Estou nos EUA há seis anos, seguindo a carreira de atriz. Estudei peças de Tennessee Williams e Patrick Shanley com o renomado Larry Moss, o mesmo professor de Leonardo di Caprio. Peças de George Bernard Shaw e Chekhov com o professor Tony Greco, o mesmo professor do ganhador de Oscar Philip Seymour Hoffman. E estudei comédia com Lesly Kahn e no curso de improvisação UCB.

Em minha carreira, tive o prazer de trabalhar em um curta como a única atriz mulher ao lado de Tony Shalhoub (da série Monk), Jeremy Sisto (do filme “As Patricinhas de Beverly Hills”) e Matthew Lillard (do filme ganhador de Oscar “The descendent”).

Participei do seriado “Community”, dirigido pelo diretor que fará o próximo filme “Lego”.

Mas também tive papéis em filmes independentes ao lado de Camilla Belle, David Arquette e Skylar Astin.

FBR – Os leitores da Facebrasil vão ficar curiosos em saber um pouco mais da sua história.
Talita Maia – Meu desejo de ser atriz vem desde a infância. Na escola, me infiltrava nos teste de teatro das classes acima da minha, porque ainda não tinha idade para participar das peças, mas eu sempre conseguia um papel. Até um show no ClubMed de Angra junto com os GOs eu consegui por causa da minha cara de pau.

Minha mãe, desde que eu era pequena, percebeu minha atração por entretenimento, então ela me matriculou para estudar balé, canto e piano, mas meus pais são muito tradicionais e tiveram uma vida muito difícil até conseguirem se estabilizar, então queriam que eu tivesse uma carreira estável – atuar estava fora de cogitação.

Fiz comunicação na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e, logo depois que me formei, resolvi finalmente ir realizar meus sonhos nos EUA, porque eu sabia que seria difícil fazer isso no Brasil sem magoar meus pais. Então eu vim na cara e na coragem, mas sem plano nenhum. Quando cheguei a Los Angeles, entrei em um curso de inglês, fiz o Toefl e me apliquei pra um curso de dois anos na UCLA, pra estudos gerais em cinema. Eu não tinha a menor ideia de como fazer testes, então aos poucos e pagando micos fui descobrindo. Assim que acabei o curso, arranjei um manager e um agente, que começaram a me mandar para os testes.

FBR – Talita Maia, você gostaria de trabalhar no Brasil?
Talita Maia – Claro que sim. Hoje em dia, depois que meus pais viram tudo por que passei e o quanto eu amo o que faço, eles apoiam e respeitam muito a carreira. Amo o Brasil e sinto saudades, então é claro que eu gostaria de ter uma oportunidade, mas é complicado largar LA depois de levar tanto tempo construindo relacionamentos profissionais e minha carreira aqui. No Brasil, seria como começar do zero.

FBR – Quais os passos que uma pessoa dá ao chegar aos EUA sem reconhecimento no Brasil?
Talita Maia – Quando você já é conhecido em seu país de origem, é bem mais fácil, porque você consegue contato direto nas agências grandes, que têm acesso aos maiores testes de cinema e TV, então é só fazer os testes. O segredo é entrar em uma agência sem ser conhecida, mesmo que uma agência pequena.

No meu caso, fui fazendo todos os cursos possíveis nos quais eu sabia que as pessoas da indústria ficavam de olho. Foi muita dedicação. Só consegui contrato com um manager depois de dois anos, e o meu manager me apresentou para o meu agente depois de um tempo. As agências procuram pessoas famosas, para garantir venda dos filmes ou audiência.

FBR – Como foi trabalhar ao lado de atores renomados?
Talita Maia – Na primeira vez, fiquei supernervosa, o inglês falhou um pouco, eu tremia de tensão, mas depois do primeiro take eu já comecei a relaxar, e na segunda cena eu já nem lembrava mais que eles eram atores conhecidos; para mim, eram apenas parceiros de cena. Aprendi muito com eles.

FBR – Em que você está trabalhando no momento?
Talita Maia – Acabei de escrever meu primeiro roteiro, então estou em busca dos produtores e diretor certo para o filme e, claro, fazendo testes sempre.

FBR – Fora TNZ o que você faz para ocupar o tempo?
Talita Maia – No meu tempo livre, pratico aulas de bateria, circo, canto para musical e dança. Também, de maneira independente, preparo e distribuo comida para os mendigos de Skid Roll e Venice Beach, às vezes com a ajuda de amigos.

Revista Facebrasil – Edição 51 – 2015
A revista mais lida pelos brasileiros na Flórida