Por que o cinema brasileiro não alcança voos mais altos?

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Após o lançamento nos cinemas brasileiros de “Bingo- o Rei das Manhãs”, que é baseado na história do ator Arlindo Barreto que interpretou o palhaço Bozo, no SBT, na década de 1980, muitos críticos e espectadores, além de elogiarem o filme se perguntaram, por que o cinema no Brasil não consegue ter mais obras assim?

Em 1998, em meio a uma grande crise financeira, o cinema brasileiro produziu o magnífico “Central do Brasil”, que além de enorme sucesso e vários prêmios internacionais, ainda concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e teve a protagonista, Fernanda Montenegro, indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

Esperava-se que após esse feito, o nosso cinema fosse subir cada vez mais degraus, mas quase duas décadas depois, podemos afirmar que houve uma evolução grande em termos de bilheteria e até de qualidade, mas nesse segundo quesito, deveríamos estar mais adiantados.

Antes desta nova crise que tomou conta no Brasil, a partir de 2015, houve um longo período de bonança. Muitos filmes sendo feitos, sessões lotadas, mas faltou o tão chamado salto de qualidade. Ao invés de surgirem bons cineastas capazes de levar às telas ótimas histórias, tivemos uma multiplicação de filmes de comédia quase pastelão e romance água com açúcar que em termos de dinheiro podem até dar retorno, mas culturalmente são absolutamente descartáveis.

É óbvio que há alguns filmes brasileiros que merecem todos os elogios, como Cidade de Deus, O Palhaço, Aquarius e mais alguns outros, mas pela quantidade lançada de 2000 para cá, é muito pouco.

Alguém pode afirmar que em Hollywood se produz centenas de filmes, para que um seja considerado como bom. Verdade, mas a realidade americana, onde os estúdios produzem em larga escala não pode ser comparada com a nossa. O mais correto seria nos comparamos com cinema o argentino. E aí, perdemos feio.

É importante destacar que nem todo filme argentino é maravilhoso, há muita coisa ruim feita por lá sim, o que é normal em qualquer local. Mas a diferença da qualidade do cinema deles para o nosso, deve ser medida no número de filmes deles que todos os anos recebem prêmios e indicações de toda parte do mundo, e o número de filmes nossos.
Filme cabeça não precisa ser chato

Existem alguns cineastas brasileiros que se tivessem humildade, poderiam aprender uma receita básica com os colegas da Argentina: um filme cabeça não precisa chato, confuso e entediante. É possível passar mensagens profundas, mas encaixadas em uma história interessante. No Brasil, tanto no passado, quanto agora, alguns cineastas fazem obras tão complexas que quase ninguém consegue entender, e que acabam servindo apenas como ótimo remédio para quem sofre de insônia.

Bons exemplos
Selton Mello, que além de ótimo ator, está se destacando como diretor e produtor, e Daniel Rezende, que acaba de lançar “Bingo o Rei das Manhãs”, despontam, junto com mais alguns poucos, como nomes que elevam o cinema brasileiro, Resta-nos torcer para que mais profissionais como eles surjam, buscando fazer não um filme previsível para dar bilheteria ou um absurdamente complexo e chato, mas sim, uma boa estória que consiga agradar ao público.

Revista Facebrasil – Edição 76 – 2017