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sábado, janeiro 17, 2026

Para poucos e (muito) bons – na revista Facebrasil 54

LIVRO LANÇADO PELA ASSOULINE CONTA A HISTÓRIA DO THE SURF CLUB, CLUBE EM SURFSIDE FREQUENTADO POR FAMOSOS E MILIONÁRIOS NOS ANOS 1930, QUE DARÁ LUGAR A UM COMPLEXO DE APARTAMENTOS E SUÍTES DE LUXO.

Antes de a vida imitar a arte, a arte imitava a vida: o The Surf Club, um dos primeiros beachclubs privados da Flórida, era um verdadeiro cenário da alta sociedade americana da época, onde a faixa de areia branca privada era dominada por belas mulheres e homens poderosos – como hoje vemos em filmes da década de 1930, quando o clube foi estabelecido. Ultrapassando a barreira dos cinemas, o empreendimento foi tão emblemático que virou livro nobre, escrito por Tom Austin, famoso colunista social do Miami Herald, e lançado pela Assouline, editora conhecida por obras luxuosas, com foco cultural.

Inaugurado no réveillon de 1930, o clube de elite mais famoso do sunshine state viveu dias de glória e foi frequentado por todas as figuras emblemáticas de suas épocas. Com seis hectares na Collins Avenue, de frente para o mar, o playground para banhistas ricos tem arquitetura que relembra as grandes mansões de Palm Beach, mas está situado na pequena cidade de Surfside, entre Bal Harbour e Miami Beach. O estilo mediterrâneo que lembra a praia de coqueiros foi propositalmente pensado pelo arquiteto responsável pelo projeto, Russell T. Pancoast, que queria oferecer aos poderosos um destino que tivesse uma cara “menos Miami”, recuperando a essência dos balneários mais sofisticados.

Como era de se esperar de um clube de endinheirados, a ideia para montar o Surf Club surgiu a bordo de um iate que pertencia a Harvey Firestone, magnata dos pneus (sua marca é, até hoje, uma das maiores do mundo). Em uma tarde ensolarada, ele e seus amigos chegaram à conclusão de que faltava um lugar em Miami em que eles pudessem ter mais privacidade, quase ficar “escondidos” – mas não de todos, já que queriam estar cercados de pessoas que transitavam pela alta sociedade. Como tudo naquela época, o projeto inicial previa apenas a entrada de homens, aceitando como sócios apenas grandes nomes do empresariado americano e outros figurões, mas logo os memberships estenderam-se também às mulheres, como parte de um processo natural de desenvolvimento e evolução.

Como também era previsto em um lugar frequentado apenas por pessoas ricas, as festas do Surf Club eram um capítulo à parte. Quando o clube iniciou suas operações, os Estados Unidos ainda enfrentavam o fim da Lei Seca, mas isso nunca foi impeditivo para os diretores e o staff – o lema, aliás, era “where there’s will, there’s a way”, algo como “onde há vontade, há um jeito”, em tradução literal. Por isso, barcos vindos de Cuba traziam toda sorte de bebidas, de rum, para as piña coladas, a vodka, para os martinis. Os mais conservadores chamariam isso (com razão) de contrabando, mas era apenas um “jeitinho” de os milionários da época garantirem sua diversão. De acordo com o livro de Austin, os anos 30, 40 e 50 foram o ápice das superfestas, muitas delas temáticas, como a Big Top Party, que teve um desfile de elefantes para os convidados.

E por falar em milionários, o RSVP do Surf Club era um prato cheio para os colunistas sociais da época, já que astros de Hollywood dividiam espreguiçadeiras e um lugar no bar com a realeza britânica. O Duque a Duquesa de Windsor, por exemplo, eram habitués durante as férias de verão. Elizabeth Taylor também passou alguns dias lá com seu primeiro noivo. Os visitantes mais frequentes podiam, inclusive, ter sua própria cabana para garantir o máximo de privacidade. O ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill gostava tanto de lá que, em vez de uma, arrematou logo duas: uma para as sonecas da tarde e outra para pintar o pôr do sol.

PRÓXIMA ONDA

Com o passar do tempo, o Surf Club ganhou alguns concorrentes mais modernos e, apesar de ser um marco do high society americano, acabou ficando em segundo plano. Mas é claro que, com tanto peso e história, seus idealizadores e as grandes marcas não deixaram o Surf Club morrer. Em uma iniciativa conjunta, a rede de hotéis de luxo Four Seasons e o arquiteto Richard Meier, ganhador do Pritzker – tipo o Oscar da arquitetura –, desenvolveram um projeto homônimo moderno e, ao mesmo tempo, fiel às raízes. Previsto para inaugurar em 2016, o empreendimento já em construção consiste em duas torres de 12 andares cada, nas quais 150 apartamentos de alto padrão dividem espaço com 80 quartos de hotel.

Com as fachadas todas de vidro, privilegiando a entrada de luz natural e o clima praiano, o plano é resgatar a ideia de reduto privado com um members-only club, com restaurantes, spa e jardins que se estendem pela orla, conectando as facilidades residenciais e hoteleiras. Misturar condos e suítes de hotel é, como já se sabe, uma tendência do mercado americano. Em Miami, o novo The Surf Club será o primeiro desse conceito a reunir também história e mesclar o velho e o novo – e, claro, terá um espaço dedicado a fotos e histórias curiosas dos tempos áureos do balneário. Parece que a onda vintage não é sucesso apenas nas passarelas. Na Flórida, pelo menos, ares do passado têm movido muitos novos moinhos.Com o passar do tempo, o Surf Club ganhou alguns concorrentes mais modernos e, apesar de ser um marco do high society americano, acabou ficando em segundo plano. Mas é claro que, com tanto peso e história, seus idealizadores e as grandes marcas não deixaram o Surf Club morrer. Em uma iniciativa conjunta, a rede de hotéis de luxo Four Seasons e o arquiteto Richard Meier, ganhador do Pritzker – tipo o Oscar da arquitetura –, desenvolveram um projeto homônimo moderno e, ao mesmo tempo, fiel às raízes. Previsto para inaugurar em 2016, o empreendimento já em construção consiste em duas torres de 12 andares cada, nas quais 150 apartamentos de alto padrão dividem espaço com 80 quartos de hotel. Com as fachadas todas de vidro, privilegiando a entrada de luz natural e o clima praiano, o plano é resgatar a ideia de reduto privado com um members-only club, com restaurantes, spa e jardins que se estendem pela orla, conectando as facilidades residenciais e hoteleiras. Misturar condos e suítes de hotel é, como já se sabe, uma tendência do mercado americano. Em Miami, o novo The Surf Club será o primeiro desse conceito a reunir também história e mesclar o velho e o novo – e, claro, terá um espaço dedicado a fotos e histórias curiosas dos tempos áureos do balneário. Parece que a onda vintage não é sucesso apenas nas passarelas. Na Flórida, pelo menos, ares do passado têm movido muitos novos moinhos.

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