Outra vez, de novo, again – por Marco Alevato

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É assustador ver um muro separando o agora do futuro. Foi esse meu sentimento quando vi as mães entregando seus bebês aos soldados para serem salvos do novo regime implantado em algum lugar do planeta. Algumas vezes, no alto de uma montanha, e noutras, do outro lado da praia. 

O que me assusta é a ausência e a falta de participação das entidades que defendem o direito de alguma coisa, classe ou etnia. O grande problema é que parece que se confirma a certeza de que existem problemas de primeira, segunda, terceira e aqueles que não nos importam  uma vez que não dão hits.

Podemos estar falando do Afeganistão ou do Haiti, uma vez que o problema é o mesmo, com a mesma intensidade e desolação. São pessoas que não são brancas, que seriam a categoria opressora, a maioria é de mulheres oprimidas. Ninguém faz absolutamente nada.

As pessoas não comentam, não fazem postagens em suas páginas de Facebook. Assim, parece que não tem problema. Pessoas estão morrendo e sendo mortas, afetadas pela fome e pelo abuso, e a gente não faz nada, pois, parece que não importa. 

Em um outro país distante, na terra do futuro, parece que o confronto entre os poderes chegou a vias de fato, esquecendo que estamos em um período pandêmico, onde milhões de pessoas já morreram e continuam morrendo.

Temos, além disso, todo o mistério do que está acontecendo na África, de como a pandemia afeta o continente africano. Parece que essa região inteira não tem problemas relativos à vacinação,  uma vez que nenhuma mídia faz e fala sobre esse assunto. Parece até os jornais ingleses no período do crescimento do movimento nazista que deu origem a segunda grande guerra, que fingiam que nada estava acontecendo e não falavam sobre esse que movimento determinou a morte de milhões de pessoas.

A imagem das pessoas caindo dos aviões ou sendo esmagadas pelas decolagens, o aeroporto invadido por americanos e aliados com medo do novo velho sistema. Quantas vezes teremos que assistir essa imagem? 

Ficamos assistindo essas matanças, simplesmente olhando para outro lado. Se não vemos, parece que não está acontecendo. Mas, está acontecendo outra vez, e de novo. 

Será que teremos que criar um movimento para salvar o ser humano? Precisamos salvar as baleias, os tigres e as florestas. Mas, sem os humanos essas ações vão ficar sem sentido. 

Precisamos salvar as pessoas! Somos imigrantes! Já pulamos nosso muro para estar aqui. Deixamos família para trás, não vimos os sobrinhos nascerem, não vimos familiares partindo, deixamos amigos e coisas em outras terras, na esperança de dias melhores, na expectativa de nunca mais encontrar muros. 

Me dói muito ver tudo isso que está acontecendo. Como filho, pai e avô, imagino o que está acontecendo com as mães para chegar ao ponto de entregar seus filhos. 

Já assistimos essa cena tantas vezes, mas o problema é que quando não vemos isso acontecer, não comentamos. Imagina quantas vezes isso acontece e já aconteceu? Quantos filhos foram simplesmente entregues e abandonados ou perdidos por momentos incontornáveis? 

Precisamos salvar a raça humana! 

Se você não ficar em choque pelas causas e consequências da pandemia de 2020, pelo momento no Haiti, no Afeganistão, na Síria, na África, no Brasil, você tem algum problema. Podemos incluir outras causas e discutir outros questionamentos, mas acho que precisamos também ver outros conflitos bem maiores do que se a Coca-Cola é melhor que a Pepsi. Isso ninguém discute mais! 

Pense nisso, sei que você consegue!