Os livros digitais e o futuro da leitura

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Vinte anos após o advento da internet, um último reduto ainda não aderiu completamente à era digital: os livros.

Apesar do avanço considerável dos e-books, eles resistem bravamente, pois os editores temem que ocorra com os livros o mesmo que aconteceu com a música na virada do século: a napsterização do conteúdo, que inevitavelmente levaria ao seu desaparecimento.

Será que os livros sobreviverão ao mundo digital? Enquanto migram rapidamente para a internet, novas questões assomam. Como leremos livros no futuro? Irá a tecnologia “desencaderná-los” como fez com os LPs e CDs? Decerto a mudança deverá ser lenta.

Os e-books já existem há alguns anos, mas o formato ainda não vingou globalmente como se esperava – mesmo com as tentativas do Sony Reader, do Amazon Kindle e do iPad, da Apple.

Uma das categorias de livros já afetadas pelo e-book foram as enciclopédias. A Wikipédia, que qualquer um pode editar, representou uma queda nas vendas de suas congêneres impressas.

Livros que não costumamos ler integralmente ou que necessitem de atualização constante deverão migrar para a rede mais rapidamente e até deixar de ser impressos dentro de algum tempo.

Precisamos deixar de pensar apenas no futuro da impressão gráfica, para pensar no futuro da leitura. Será que os livros sobreviverão neste universo eletrônico do Twitter, do Facebook e dos blogs? Todas as demais formas de mídia que aportaram no mundo digital foram inteiramente transformadas pelos usuários.

Antigamente, uma notícia de jornal importante era “suitada” nos dias seguintes pelos próprios jornais impressos no rádio e na televisão.

Hoje qualquer matéria de jornal ou clipe que chega à internet é imediatamente bombardeada por comentários em blogs, sites e páginas da web, ampliando exponencialmente seu alcance geográfico.

A única razão pela qual isso ainda não acontece com os livros é porque estes estão confinados em tinta sobre o papel. Liberte-os, e um universo muito maior se desencadeará.

Vários sites já perceberam essa tendência e estão inserindo livros na rede. A nova forma de fruir os livros está criando uma nova geração de leitores, cujos comentários e anotações adquirem grande valor para a sociedade e já são, inclusive, comercializados com razoável sucesso no ambiente acadêmico.

A visibilidade que os livros adquirem com tal exposição eletrônica global traz à tona novas oportunidades de apreciação das obras literárias e nova receita econômica para autores e editores.

A prática, ainda incipiente, tornará muito mais acessível um número incalculável de livros, pois as pessoas desejarão conhecer uma obra comentada e anotada por amigos, conhecidos e colegas de trabalho.

A contrapartida desse novo movimento de leitura virtual é uma maior venda de livros físicos, impressos. A maioria dos poucos autores que experimentaram inserir suas obras online em forma gratuita acabou descobrindo que suas vendas aumentaram, porque mais pessoas tomaram conhecimento de seus livros.

Todavia, um dos maiores prazeres da leitura física é completamente eliminado na leitura eletrônica: a capacidade de cada indivíduo de atingir estados mentais únicos e paisagens inigualáveis enquanto lê os pensamentos e as ideias do autor. Mas o fato é que a migração digital dos livros está gradativamente revelando um novo e verdadeiro valor: o leitor.

Nehemias Gueiros, Jr. é advogado especializado em Direito Autoral, Show Business e Direito da Internet, professor da Fundação Getulio Vargas-RJ e FGV-SP e da Escola Superior de Advocacia (ESA-OAB/RJ), consultor de Direito Autoral do ConJur, membro da Ordem dos Advogados dos Estados Unidos e da Federação Interamericana dos Advogados em Washington, D.C., e sócio do escritório Atem & Sá Advogados, no Rio de Janeiro.

Revista Facebrasil – Edição 50 – 2015
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