O impacto negativo dos haters sobre os atletas

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Todos os dias, muitos anônimos ou famosos são “massacrados” por milhares de haters virtuais por algo que disseram ou fizeram. A agressividade nas redes sociais tem mexido bastante com as pessoas que são humilhadas na internet. No caso dos atletas profissionais, ainda não temos uma tragédia, mas, devido a esses ataques cruéis, muitos já estão psicologicamente abalados e, às vezes, após um erro, desabam a chorar em público, não só pelo erro em si, mas também porque sabem que, em poucos minutos, receberão milhares de postagens ofensivas nas redes sociais.

Na Olimpíada de Londres, em 2012, a judoca brasileira Rafaela Silva foi eliminada da competição, após aplicar um golpe considerado irregular. Triste com o desfecho de sua participação, a atleta entrou no Twitter à espera de mensagens de apoio, mas o que leu foram muitas ofensas pesadas, inclusive de cunho racista, vindas de brasileiros. Revoltada, ela resolveu revidar, e ficou tão abalada que, durante muitos meses, enfrentou um quadro de depressão e pensou em abandonar o esporte. Felizmente, Rafaela conseguiu superar o pesadelo e, na Olimpíada do Rio, quatro anos depois, ganhou a medalha de ouro. Mas, nesse mesmo evento, Fabiana Murer, atleta brasileira do salto com vara, foi praticamente “linchada” pelos haters pelo fato de não ter tido um bom desempenho. Detalhe: ela competiu com uma hérnia de disco. Até mesmo quando ganha, o atleta está sujeito a ser alvo dos haters. A ginasta americana Gabby Douglas ganhou a medalha de ouro na Rio 2016, mas milhares de americanos foram às redes sociais para atacá-la por causa de seu cabelo, por não ter colocado a mão no coração durante o hino e até pela expressão facial triste que ela apresentou durante a competição.

Virou rotina, jogador erra e desaba a chorar

O Campeonato Brasileiro de 2018 está em andamento, mas um estranho fenômeno chama a atenção: os vários jogadores que têm saído de campo completamente devastados, após terem cometido uma falha. Anos atrás, isso era bem menos frequente e tinha que ser algo muito impactante, como em um jogo decisivo para o título. Mas agora, em qualquer partida, a tensão é máxima, e isso tem um motivo: os haters. Muito mais do que as torcidas organizadas com seus cânticos ameaçadores, o que vem mexendo psicologicamente com os jogadores é o tsunami de ofensas que chegam pelas redes sociais e que destroem completamente os nervos, especialmente dos mais jovens. Quais as consequências desse novo fenômeno? Quantos bons jogadores não poderão abandonar ou até não conseguirão render o que poderiam graças a esses ataques? Podemos tomar conhecimento de uma tragédia? Respostas que só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa, já passou da hora de se criarem leis severas e que funcionem na prática. A liberdade de expressão deve ser garantida, mas a responsabilidade pelo que é dito deve estar junto dela.