O custo da teimosia – na revista Facebrasil 73

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por Giovanni Alevato

Quando falei que tinha dúvidas quanto ao sucesso das obras de transposição do rio São Francisco, detalhei algumas das dúvidas que tinha em vários quesitos relacionados à essa obra de dimensões magníficas.

Falei também das denúncias de corrupção, da vazão do rio, etc. Pois bem, nem bem a obra foi inaugurada e alguns trechos já colapsaram.

Agora o maior dos temores toma o lugar do “sucesso” da inauguração da tão aguardada e festejada obra, tida por uns como a redenção do Nordeste e dos nordestinos, capaz de tirar do atraso uma região que paga com a sede e a pobreza, pela incapacidade dos políticos que as usam para seus fins menos republicanos. Afinal, quanto mais pobres ficam os sofridos nordestinos, mais ricos ficam os políticos daquela região. Em troca de migalhas, transformam-na em um imenso curral eleitoral que, em muitos casos, já elege políticos da quinta geração de abastadas famílias que enriqueceram com a desgraça e a miséria do povo maltratado e sofrido.

Até que vieram os “aloprados” e decidiram transformar a “piada” da transposição do “concordatário” rio São Francisco, que já não se aguentava bem das pernas, causticado por anos de descaso e saques à sua vazão para diversos fins, e resolvem tocar a obra da transposição para fins muito menos nobres e inconfessáveis, eleitorais, bem superfaturamento nas obras, assim levando o “Velho Chico” ao estado “falimentar”.

Sua lâmina d’água já não comporta embarcações nem de médio porte, suas margens estão cada vez mais assoreadas com a carga de dejetos lançadas em seu corpo, totalmente incompatível com suas forças de diluição, tornando a captação para consumo humano e para dessedentação de animais cada vez mais difícil e cara, dado que fica à mercê da pressão exercida pelo oceano Atlântico em sua foz, que saliniza cada vez mais suas águas, matando a biodiversidade e modificando o ecossistema daquela região.

Existem soluções para esses problemas? Sim, existem, mas com certeza será mais caro do que outras soluções que não envolvessem a transposição do São Francisco, que era a esperança de um povo e na realidade só fará piorar o problema daquela região.