Explode o número de séries exibidas, mas será que isso é bom?

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O número de séries sendo exibidas em canais de TV aberta, a cabo e em plataformas de streaming, como a Netflix cresceu espantosamente nos últimos anos. Muito populares nos Estados Unidos há décadas, elas também viraram febre em muitos países, como o Brasil, onde milhões de pessoas acompanham avidamente várias séries simultaneamente. Mas será que esse excesso de lançamentos não acabará prejudicando o próprio segmento?

Apesar das séries gerarem muita audiência ao longo de mais de meio século, nos últimos dez anos, elas obtiveram um salto de qualidade espantoso.  Se até bem pouco tempo, apenas atores com pouco ou nenhum espaço no cinema participavam delas, agora, nomes consagradíssimos de Hollywood estão envolvidos em uma ou mais séries.  O orçamento e as locações também evoluíram muito.

Duas séries que podem ser apontadas como divisores de água são Breaking Bad e Game of Thrones.  Claro que antes existiram outras de muito sucesso, mas os bons enredos e as produções dessas duas, elevaram o segmento, transformaram atores desconhecidos em ídolos e quebraram o paradigma de que série era uma coisa “menor”.

Como citamos anteriormente, atualmente, grandes nomes do cinema estão migrando para o mundo das séries, dentre eles, podemos destacar: Anthony Hopkins, Nicole Kidman, Kevin Spacey, etc.

Muita coisa questionável

Atualmente, existem tantas séries sendo exibidas, que se torna impossível saber o nome e do que se trata cada uma delas, mas em meio há algumas muito boas, também há um tsunami de seriados fracos e que apelam para clichês mais do que desbotados.

No segmento de séries para os adolescentes e jovens, chama a atenção a previsibilidade de alguns enredos: “garota rica e malvada x garota pobre ou rica, mas boazinha”, “garota humilde e dedicada encontra garoto lindo se apaixonam, mas terão que enfrentar vários obstáculos”. Ora, se analisarmos com calma, veremos que são as mesmas histórias contadas há décadas em novelas e filmes água com açúcar, logo, apesar da roupagem “moderna”, não passam de produtos de péssima qualidade.

Outro segmento que está sendo muito explorado de maneira simplória nas séries são os voltados à ação/policial. Uma boa trama prende a atenção e nos leva a querer acompanhar cada novo episódio, mas quando os roteiristas abusam dos clichês, com vilões e heróis muito caricatos, o resultado é uma bomba bem desagradável para quem espera algo inovador.

Alguns podem concluir que no cinema isso também acontece, para cada filme bom, existem várias porcarias, e é verdade, mas como vivemos algo novo e peculiar, seria interessante que, independente do segmento, os roteiristas buscassem a originalidade, o que seria ótimo tanto para as séries, quanto para os próprios filmes, onde seus roteiristas se viriam obrigados a bolar histórias que fujam do totalmente previsível.

Por ora, temos algumas séries muito boas para assistir na TV ou nas plataformas de streaming, mas torçamos para que o excesso de novas produções, feitas às pressas, não acabe destruindo este momento tão bacana para os fãs de boas histórias.