Por mais de um século, a obesidade foi determinada por uma conta: o peso (em quilogramas) dividido pela altura ao quadrado (em metros). O resultado é o Índice de Massa Corporal. O IMC maior do que 30 significava que a pessoa tinha obesidade. Mas essa fórmula era criticada há muitos anos pelos médicos.
É importante ressaltar que o risco de problemas de saúde depende da porcentagem relativa de gordura, ossos e músculos que compõem o peso corporal de uma pessoa, bem como onde a gordura está concentrada.
Atletas com massa muscular relativamente alta, por exemplo, podem ter um IMC elevado, até mesmo acima de 30, mas seu peso maior é devido ao excesso de músculos e não de tecido adiposo.
O tecido adiposo localizado ao redor da cintura leva uma pessoa a correr maior risco de problemas de saúde associados à obesidade.
A gordura armazenada profundamente no abdômen e ao redor dos órgãos internos pode liberar moléculas prejudiciais no sangue. Essas podem, então, causar problemas em outras partes do corpo.
Mas o IMC, por si só, não nos diz se uma pessoa tem problemas de saúde relacionados ao excesso de gordura corporal.
Uma pessoa com IMC 32 pode não apresentar nenhum problema físico, enquanto outra, com índice de 27, já pode ter a saúde comprometida pelo excesso de gordura.
Portanto, segundo os especialistas, o IMC é uma ferramenta imperfeita para ajudar a diagnosticar a obesidade.
A nova definição
Há dois anos, um grupo de 56 especialistas de vários países começou a buscar uma nova forma de diagnosticar a doença. As conclusões foram publicadas na revista Lancet Diabetes & Endocrinology Commission on the Definition and Diagnosis of Clinical Obesity, como recomendação para médicos do mundo inteiro.
O diagnóstico de obesidade passa a ser feito quando o paciente tem IMC acima de 25 e uma segunda medição corporal aumentada – a circunferência do abdômen. Além disso, o excesso de gordura precisa ter comprometido algum órgão ou a rotina diária. Pacientes que não conseguem andar pequenas distâncias ou que desenvolveram pressão alta elevada, por exemplo.
A obesidade está associada a muitas doenças comuns, como diabetes tipo 2, cardiovasculares, doença hepática gordurosa e osteoartrite do joelho.
Esses novos critérios para o diagnóstico de obesidade clínica precisarão ser adotados em diretrizes de prática clínica nacionais e internacionais e em uma série de estratégias de obesidade.
Reformular a narrativa da obesidade pode ajudar a erradicar os conceitos errôneos que contribuem para o estigma, incluindo suposições falsas sobre o estado de saúde de pessoas com corpos maiores.
Distinguir as pessoas que não têm doenças daquelas que já têm doenças em andamento permitirá abordagens personalizadas para a prevenção, o gerenciamento e o tratamento da obesidade, com alocação de recursos mais apropriada e econômica.



