Nova ordem comercial mundial – por Marco Alevato

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A data de 5 de julho de 1994 tem muitas razões para ser comemorada, mas, certamente, o lançamento de uma pequena empresa de venda de livros em uma garagem pequena, sem luxo e sem muita diferença das outras tantas empresas, se destacou. Nesse dia nasceu a Amazon.com, uma empresa que criaria a ordem comercial mundial, e que está mudando todas as relações comerciais entre os homens e as nações.

Atualmente, a Amazon.com vende tudo e até livros. Desde que foi criada a expansão da empresa foi avassaladora.  Eletrônicos, softwares, videogames, roupas, móveis, alimentos, brinquedos, joias, carros, passeios no espaço, etc. Tudo que alguém quer comprar, a Amazon vende e entrega. Seu lema: satisfação garantida ou o dinheiro de volta. Lema que também era usado pela Sears, bem …

Mas, muito mais do que isso, ela gera empregos e oportunidades. Na verdade, o mundo gira em torno dessa empresa que representa a nova ordem comercial mundial. Hoje seus centros de distribuição, espalhados pelos quatro cantos do universo, modificam as regiões e o trânsito. Milhares de vans e carros não logotipados saem pelas ruas fazendo as entregas durante as 24 horas do dia para os clientes Prime, que podem comprar e receber as suas ordens em até 2 horas. 

A inteligência artificial já começa a separar os produtos, conforme o perfil do comprador, antes mesmo do fechamento da ordem, ainda no carrinho, tudo para criar uma pronta resposta ao consumidor e manter sua liderança. 

Como ela chegou sem chamar atenção, em 99, sem grandes lojas e vitrines, como uma ideia foi se expandindo e entrando na cabeça de todo mundo. Hoje a Amazon é uma empresa que vai da alimentação às experiências espaciais.

Amazon.com é uma empresa multinacional americana, a maior no país e já desbancou gigantes do comércio, das artes e da literatura. Quando o mundo acordou, a Amazon já era a maior de todas. Seu valor de mercado é maior que o de todas as outras lojas juntas. Em 2024 poderá, se nada diferente acontecer, ter o valor de mercado de 3 trilhões de dólares. 

Uma ação da Amazon compra 6 do Walmart, ou 10 da Apple, ou 15 do Best Buy, ou 20 do Wayfair. Na área de alimentação está trazendo em seus aviões ofertas de frutas e legumes de diversos pontos do mundo, mudando um monte de barreiras conhecidas e intransponíveis em prévia realidade. Passando pela logística, empresas de entregas terrestres, aviões e tantas outras ramificações que teríamos que ficar dias aqui relacionando. 

A verdade é que a Amazon.com se preocupou em não depender de ninguém. Ela faz praticamente tudo, da porta da fábrica até a porta do consumidor em qualquer lugar, em qualquer rua. Existem algumas versões em que esse período entre a fabricação e a abertura da caixa pelo consumidor, pode levar, no máximo, 48 horas. Praticamente eliminando todo o desperdício e estocagem. 

Agora que já consegui trazer o cenário da nova ordem comercial mundial, queria achar um espaço em sua mente para montar um futuro que, a meu ver, está chegando. Tudo está mudando, principalmente a forma que estávamos acostumados há 30 anos. 

O que estamos conversando aqui é um modelo de negócio. Nos últimos anos, tivemos as explosões dos shopping centers, antes disso o comércio era de rua, comprávamos roupas e calçados nas lojas próximas a nossas casas. Assim, veio o advento dos grandes centros comerciais onde você encontra tudo em só lugar, restaurantes e lojas para sua conveniência. Tudo na segurança do ambiente refrigerado. 

Temos uma nova revolução comercial, onde você compra tudo na tranquilidade do seu telefone e do seu computador onde estiver. Com acesso a todas as marcas e mais uma vez com a velocidade do pensamento, a ideia se expandiu, sem barreiras físicas. Apenas uma ideia, um desejo e você pode ter o que quiser. E o melhor: será entregue no mesmo dia na porta da sua casa. E, se não gostar, pode devolver gratuitamente, sem falar com ninguém, somente com um simples comando na ponta do dedo. Gerando milhares de empregos, dentro e fora das estruturas, a Amazon parece um paraíso, com funcionários e prestadores bem remunerados, clientes felizes e, além de tudo, ainda conquistando o espaço. 

Mas aí, entra mais um ponto da nossa conversa. Essa concentração de negócios nas mãos do Jeff Bezos, que quando começou sua empresa na garagem jamais imaginou chegar mudando o mundo para sempre, onde restaurantes estão preferindo entregar a comida do que servir em seus salões, lojas estão fechando suas estruturas físicas para vender pela Amazon.com ou qualquer outro site de e-commerce, os centros comerciais estão se esvaziando e dia após dia perdendo a razão de existir. Os empregos sendo redirecionados, a forma de fazer negócio tendo novas relações e que muitas delas nem conhecemos. 

Isso tudo se chama inovação tecnológica em escala, mercado livre, digitalização. Pode chamar do nome que você quiser, mas quando a única opção for a digital, quando o restaurante somente for por delivery, quando todo o conhecimento for informatizado, estaremos mais uma vez como os porcos selvagens. 

O importante é o equilíbrio entre o virtual e o estabelecido, entre o e-commerce e a vitrine, entre o delivery e o serviço do garçom, entre a live e o show ao vivo presencial, entre o cinema com pipoca e a Netflix. Porque, se alguém desligar a tomada, voltamos às vilas ou às cavernas. 

Pense nisso, você consegue! 

Marco Alevato

MBA