Mais poderoso que Merthiloate e mais eficaz que Band-aid, o abraço é o primeiro (e um dos mais importantes) estágio da cura

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Por Lilian Alevato

Alterações de humor, empatia e aumento dos batimentos cardíacos podem ser alguns dos efeitos colaterais de um remédio orgânico e comprovadamente milagroso que pode (e deve!) ser usado sem moderação, em qualquer situação: o abraço.

Embora o gesto seja quase instintivo para muitos de nós, criados e crescidos em uma cultura acostumada aos afetos, há quem tenha passado pela vida sem experimentar essa “droga” altamente viciante.

Tempos atrás, uma colega, também médica, comentou que visitou muitos livros, palestras e cursos relativos à saúde, mas em nenhum deles aprendeu a abraçar como me via fazer repetidas vezes. “Quando a vejo envolvendo seus braços em outras pessoas, consigo sentir a energia dessa conexão. Vejo sorrisos nos rostos de quem abraça e é abraçado; percebo e me contagio com esse sentimento de acolhimento e bem-estar. Quero e preciso aprender a fazer o mesmo, porque esse hábito nunca fez parte da minha criação, então reconheço que tenho certa dificuldade”, confessa.

Não existe um manual nem um único jeito certo de se abraçar alguém, mas convém refletir um pouco sobre esse ato. Então, caro leitor, o que é um abraço para você? Para mim, é uma demonstração de carinho, de afeto; uma maneira de transmitir sentimentos sem usar palavras. É tomar o coração de uma pessoa por entre os braços e saber o valor dessa simbologia.

E não importa o lado do abraço em que você está, saiba que todos saem dessa experiências com mais saúde – e felicidade também.

Estar em um abraço é estar cercado por energias positivas, sempre foi assim. Lembra sua infância, quando algo inesperado, como uma queda ou um corte no dedo, arrancava-lhe uma porção de lágrimas dos olhos? Pois então, aposto que, nessas horas, um abraço funcionava tão bem quanto o Merthiolate ou o Band-aid. O abraço faz (p)arte da cura.

Quando crianças, participávamos desse ritual milenar de forma passiva, mas o tempo (e o amor) se encarrega de nos fazer trocar de papel e assumir a posição de agente, de quem entrega um abraço a outra pessoa.

Em geral, essa primeira experiência ativa da criança é abraçar seu “paninho de estimação” ou seu ursinho de pelúcia, relembrando que o gesto é também sinônimo de segurança e conforto.

Logo percebemos que o “intercâmbio” de lados, entre abraçados e abraçadores, é mais difícil para quem não teve uma infância recheada de abraços e não pode, portanto, se habituar a essa troca de afeto – essa regra, é claro, deixa brechas para exceções.

Segundo a psicoterapeuta Virginia Satir, “precisamos de quatro abraços por dia para sobreviver.

Precisamos de oito abraços por dia para nos manter. Precisamos de doze abraços por dia para crescer”. Não posso afirmar que esses números foram cientificamente confirmados, mas sei que há grandes evidências – médicas, inclusive – em relação à importância dos abraços e do contato físico.

Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte descobriram que um abraço do parceiro, ainda que breve, pode ajudar a reduzir os níveis de cortisol, substância que contribui para o estresse. Além de diminuir os níveis de ansiedade, os abraços também influenciam na redução da pressão arterial. É a ciência e a medicina provando o que já nascemos sentindo – mas não sabendo: um abraço pode salvar uma vida.

DEZ RAZÕES PARA DAR MAIS ABRAÇOS

O ato de abraçar é uma terapia integral. Confira:

1. Abraçar induz a produção de oxitocina no organismo
A oxitocina é um hormônio poderoso que não apenas fortalece os laços com os nossos entes queridos, como também tem a capacidade de estimular a solidariedade entre estranhos.

2. Abraçar constrói laços mais fortes com as pessoas com as quais lidamos no dia a dia
Abraçar nutre as relações humanas, cultiva e aumenta a confiança – e, francamente, faz-nos pessoas mais felizes.

3. Abraçar reduz o estresse
Um bom abraço, literalmente, diminui os níveis de cortisol encontrado no corpo e, consequentemente, reduz a ansiedade e a necessidade de uso de ansiolíticos.

4. Abraçar reduz a pressão arterial
Colecionar abraços é excelente para o seu coração.

5. Abraçar é uma boa ação recíproca
Abraçar é uma forma de acalmar sem a necessidade de o outro contar seus problemas. Um bom abraço pode mudar o rumo do dia de uma pessoa… para melhor!

6. Abraçar faz-nos sentir incríveis!
O poder do toque humano é profundo, e os nossos corpos estão cheios de nervos prontos para estimulação. A maior parte de nós provavelmente tem o desejo de toque humano durante o dia e simplesmente não tem consciência disso. Para que gastar tanto dinheiro com uma massagem? Um bom e longo abraço tem a capacidade não só de levantar o espírito, mas também de transmitir boas sensações para o corpo.

7. Abraçar pode melhorar o seu humor.

8. Abraçar reconecta a mente com o corpo.

9. Abraçar mais faz-nos melhores “abraçadores”!
Lembra-se do caso da minha amiga que quer ser abraçada para aprender a abraçar?

10. Abraçar cultiva a paciência.
As conexões são promovidas quando as pessoas usam o seu tempo para apreciar e reconhecer o outro. Um abraço é uma das maneiras mais fáceis de mostrar apreciação e reconhecimento a outra pessoa.

Por hora, um grande ABRAÇO pra todos vocês! E sigam abraçando.

Revista Facebrasil – Edição 52 – 2015
A revista mais lida pelos brasileiros na Flórida