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terça-feira, dezembro 9, 2025

Justiça dos EUA aprova plano de recuperação judicial

A Justiça dos Estados Unidos aprovou a proposta da companhia aérea Gol para sair do chamado “Chapter 11”, da Lei de Falências norte-americana — processo semelhante à recuperação judicial brasileira.

A informação foi divulgada pela companhia em comunicado oficial a investidores, nesta terça-feira (20), e a expectativa é que a Gol conclua o processo de “Chapter 11” nos Estados Unidos em junho deste ano.

O pedido de reestruturação foi feito pela empresa em janeiro de 2024, junto ao Tribunal de Falências de Nova York, em meio a dívidas de aproximadamente R$ 20 bilhões da companhia.

O objetivo principal da recuperação judicial é permitir que a Gol reorganize suas obrigações financeiras de curto prazo e fortaleça sua estrutura de capital para garantir sustentabilidade dos negócios no longo prazo.

Em comunicado, a empresa informou que “avançou significativamente na melhoria de sua posição competitiva, fundamentos financeiros e desempenho operacional”, citando:

  • US$ 1 bilhão em financiamento debtor-in-possession (“DIP”), que é um tipo de empréstimo cedido a empresas em recuperação judicial ou falência. Esses recursos permitiram que a companhia reforçasse sua liquidez e reinvestisse em sua frota;
  • Negociação de pacotes de concessões no valor total de US$ 1,1 bilhão com empresas que alugam os aviões da Gol. O acordo cobre todas as aeronaves da frota da companhia e inclui suporte financeiro para pagar as manutenções atrasadas;
  • Apoio de bancos brasileiros, incluindo a reestruturação de aproximadamente US$ 150 milhões em debêntures (títulos privados de dívida) locais e acesso a aproximadamente US$ 340 milhões em factoring de recebíveis, uma ferramenta crítica de capital de giro para empresas brasileiras;
  • Começou a implementar um programa de melhoria de resultados anual de US$ 181 milhões, entre outros.

Ainda segundo a Gol, a empresa deve sair do processo de “Chapter 11” com um balanço patrimonial fortalecido e dependendo menos de empréstimos, além de ter recuperado totalmente sua frota de Boeings 737.

A Gol é controlada pela holding sul-americana Abra, que negocia uma fusão da companhia aérea com a rival Azul.

Quais são os próximos passos?

Segundo a empresa, após a confirmação do seu plano, a Gol ainda deve concluir as etapas finais necessárias para sua saída do processo de “Chapter 11” — o que inclui a realização de uma assembleia-geral para aprovar o aumento de capital previsto, que deve acontecer em 30 de maio.

“Após a implementação do plano, a Abra permanecerá como a maior acionista indireta da Gol”, diz o comunicado.

O que levou a Gol ao pedido de recuperação?

Segundo analistas, a Gol tem números operacionais sólidos diante da boa demanda por viagens aéreas no Brasil. As altas despesas com leasing (contrato de aluguel de aeronaves) e juros, no entanto, pressionaram seu fluxo de caixa e afetaram seu perfil de dívida.

A companhia também enfrentou problemas de capacidade em meio a atrasos nas entregas de aeronaves da Boeing — o que, segundo o presidente-executivo da empresa, impediu que a Gol crescesse no ritmo que gostaria.

Outros causadores da atual situação, segundo a companhia, são os efeitos da pandemia de Covid-19 — que elevaram os preços dos combustíveis e influenciaram a desvalorização do real frente ao dólar.

A Gol detinha 33% de participação de mercado na indústria de aviação brasileira no ano passado, perdendo apenas para a Latam Brasil — conforme definido pela receita de passageiros por quilômetro, que mede o tráfego. (com informações g1)

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