Futebol feminino recreativo – na revista Facebrasil 102

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FUTEBOL FEMININO RECREATIVO

por Marco Meccia

É fato que o “girls soccer” vem (vinha) crescendo na Flórida, não existe dúvida sobre isso, motivado até pelo time nacional feminino que dentre tantos títulos, ostenta o de campeãs mundial, “She Believes Cup”. Nessa edição, nosso foco não é escrever sobre o futebol profissional, mas sim mostrar a crescente paixão das brasileiras pelo esporte, qual outrora, em nosso país de origem, era “só para homens”.

Muitas academias de futebol se atentaram a esse notório crescimento principalmente no esporte amador, virando até um nicho de mercado. Muitos profissionais do setor, clubes, arenas, etc. já desenvolveram uma atenção especial, como, dentre tantos, a R9 Ronaldo Academy que reservou um “pick up and play” (pagou jogou) só para elas. 

Dentro desse crescimento, ou melhor, dessa proliferação, um grupo nos chama atenção, o das mulheres de Celebration. Eita “cidadezinha” famosa pelo futebol… já não bastava o Celebration Soccer Stars com sua centena de jogadores, agora surgem as esposas, filhas e afins. 

Priscyla, uma das organizadoras do CSS Pride (futebol feminino), nos conta que tudo se iniciou com as mulheres que toda segunda-feira assistiam aos jogos dos maridos juntos ao Club, nos campos novos de Celebration. Papo vai, papo vem, numa brincadeira, combinaram de chegar mais cedo para TENTAR jogar futebol (elas vão me matar) antes do jogo masculino. Pasmem, muitas ali nunca haviam jogado na vida, uma ou outra tinha alguma noção, ou já haviam jogado antes. Pois bem, num lindo fim de tarde de novembro de 2019, elas estacionaram uma hora mais cedo que os maridos peladeiros e se dirigiram ao campo para arriscar um bate bola. 

Eu estava lá, me “convidaram” sem direito a recusa, para carregar as traves, que para minha sorte, como elas não tinham goleiras, foram usadas as “minis” (nosso gol caixote). Priscyla apareceu com a bola e com algumas camisas antigas do CSS, confessando ela, que naquele primeiro dia, como eram apenas 10 mulheres/moças/meninas, as camisas tornariam mais fácil reconhecerem o time numa eventual bagunça com bola.

Testemunhei naquela segunda-feira fria e com um entardecer exuberante, o nascimento de um lindo grupo desportivo feminino. Aquele cenário perfeito e a sinergia entre elas fizeram com que a qualidade do futebol ficasse de lado, pois era regozijante ver o quanto elas estavam se divertindo. Aplaudi a transformação de uma simples tarde de inverno em um inesquecível congraçamento desportivo feminino.

Após três meses, mais que o dobro de jogadoras, já com uniforme próprio e disputando as ligas locais, veio a pandemia, e como no mundo todo, houve o fechamento dos campos. Mesmo assim, o time não se desfez, pelo contrário, cada uma, a seu modo, de forma voluntária, ajudou a comunidade durante aqueles momentos de incerteza, quer seja confeccionando máscaras, quer seja suprindo as necessidades básicas dos idosos e/ou dos mais necessitados um minúsculo exército de mulheres fazendo o bem, que sensibilizou o meio em que vivem, fez o tempo de quarentena dar a impressão de passar mais rápido e menos sofrido.

Depois de três meses e quatro dias do fechamento dos campos, no dia 15 de junho, os campos reabriram. Nossas “meninas” retornaram aos gramados, mas, como tudo, voltaram mais tímidas, ainda inseguras, mesmo respeitando todos os “health protocols” e “safety guidelines” não estavam confortáveis, o que as fez redobrar os cuidados e aos poucos foram se reorganizando.

Com zero casos entre elas, o time possui 46 integrantes ativas e conta com os patrocinadores brasileiros Jalber da Werner Coiffeur, André da T-Ligo e Atanizia da H2films, e já é considerada a maior organização de futebol feminino da cidade. Até voltarem as ligas locais, elas jogam 2 vezes na semana de forma recreativa, diversão pura.

O Celebrations Soccer Stars Pride, composto por maioria absoluta de brasileiras, é mais uma prova que muito do crescimento do futebol feminino também se deve ao nosso povo, pois, quando o assunto é “soccer”, somos referência. Claro que elas são só um exemplo de centenas de outros times femininos espalhados por aí, os quais, através desta coluna, os parabenizo todos.

Como já mencionado em outras edições dessa renomada revista, cada vez mais o futebol verde e amarelo conquista espaços e supera barreiras, gigantes barreiras diga-se de passagem, mas nada tão grande que nós não consigamos transpor. 

Me despeço sem as minhas personalizadas costumeiras frases, mas parafraseio a mais falada frase dessa pandemia: “Stay Safe e que Deus abençoe a todos nós!”.