Flórida a fundo – na revista Facebrasil 58

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PONTOS DE NAUFRÁGIO, CORAIS E VIDA ABUNDANTE FAZEM DO ESTADO AMERICANO UM DOS MAIS INDICADOS PARA OS AMANTES DO MERGULHO.

Os contornos, as cores e os movimentos são coreografados para conquistar os olhos de quem a vê logo no primeiro momento. Mas quem nunca comprou a ideia de “amor à primeira vista” e não se deixa levar pela beleza da superfície pode mergulhar na Flórida sem medo, porque suas profundezas são tão ou mais apaixonantes quanto sua terra firme.

E nem é preciso ir longe da badalada Miami para comprovar o que já é fato. Na parte central da Flórida, Pompano Beach e Deerfield Beach são duas das queridinhas dos brasileiros por sua atmosfera amigável e tranquila, mas encabeçam a lista dos mergulhadores amadores e profissionais por reunir belos corais e naufrágios inexplorados.

A temperatura da água é outro ponto que conspira a favor da região: fica entre 28 e 30 graus Celsius, com visibilidade variando entre 15 e 30 metros, e não raramente chega a 40 metros em algumas épocas do ano.

Dada a força da corrente e o intenso fluxo de embarcações, recomenda-se a companhia e orientação de alguém que conheça bem a região. Em algumas épocas do ano, é preciso tomar cuidado também com o tubarão-touro, que costuma figurar na área.

Os pontos de mergulho mais distantes pedem a estrutura e segurança de uma empresa credenciada, e a região é cheia delas – mas, mesmo assim, é recomendável fazer reservas com alguma antecedência, para evitar surpresas.

Nessa zona central da Flórida, os locais mais procuradores por mergulhadores são o United Caribbean (Boyton Ledge Cave), Sea Empreor (Tumbled Rocks), Nouta e Captain Dan.

Um pouco mais ao sul, chegamos a Fort Lauderdale, igualmente propícia para a exploração aquática. Dos lugares conhecidos ali, um dos mais famosos é o Tenneco Towers, duas torres de plataforma de petróleo submergidas após serem doadas pela empresa Tenneco Company. Há alguns anos, outra torre foi doada e novamente submergida, criando o ponto Deep Tenneco, recomendado para mergulhadores técnicos.

Nos arredores de Miami, temos mais de 30 opções de naufrágio, sendo alguns inteiros e outros desmantelados. O primeiro admite mergulhadores não certificados para essa modalidade, pois são naufrágios “cênicos”: foram preparados, retirando-se todas as entradas que poderiam oferecer riscos.

Mergulhadores técnicos devem incluir na rota os pontos de Caicos Express e Hydro Atlantic, cheios de vida e com grandes peixes de passagem – incluindo os Bull Sharks em algumas épocas. O baixo custo do gás hélio nos Estados Unidos é outro fator que colabora para a prática do esporte.

SUL DA FLÓRIDA

Ao sul do estado, encontramos a célebre região dos Key’s, uma extensão de terra que afunila e nos leva a diversas ilhas através de uma estrada sobre pontes chamada US, ou a estrada número 1 dos Estados Unidos, que corta o país de norte a sul.

Descendo até Key Largo, você pode aproveitar as instalações do John Pennekamp Park e mergulhar saindo diretamente da praia – lembre-se apenas de seguir as regras e instruções do parque. Lá está a estátua de Jesus Cristo com os braços abertos para o alto, famosa pelas fotos que estamparam inúmeras revistas de mergulho.

Ainda na zona de Key’s, encontramos pontos como o Duane, The Bibb e o maior e mais famoso deles, o Spiegel Grove, que, além das dimensões superlativas, ficou famoso por ser um navio que se “levantou” sozinho e está de pé até hoje, em posição de navegação. Curiosamente, esse fato ocorreu com a passagem de um furacão na região, que mexeu com o fundo do mar, reposicionando diversos navios que estavam em seu caminho. Após a passagem do furacão, os primeiros mergulhadores que visitaram o Spiegel tomaram um susto ao encontrá-lo ereto, pronto para navegar.

E o fato foi ainda um relento para os americanos, pois o afundamento proposital do Spiegel foi considerado uma grande vergonha, já que os americanos dedicaram anos estudando o afundamento para a criação do recife artificial e, quando o fizeram, o navio tombou, atingindo o solo deitado.

Outros diversos naufrágios estão ali à disposição, mas os visitantes com tempo limitado deveriam priorizar esses três pelas dimensões, história e vida que atraem. É muito importante lembrar que a região tem correntes fortíssimas e que os mergulhos ali devem se programar de acordo com o horário e a agenda das operadoras, que estudam o movimento das águas na região e se preparam para as correntes.

Em outras regiões, é comum os mergulhadores abandonarem suas embarcações para só depois retornarem à superfície, mas as correntezas nos Key’s pedem que alguém fique de tocaia no barco, para evitar qualquer susto ou até tragédia.

De volta à superfície, temos no sul o Museu do Mergulho, com diversos tipos de equipamento que levaram bravos guerreiros às profundezas durante anos e anos. É curioso, bem organizado e vale a visita, até porque, seco ou não, o importante é mergulhar fundo no conhecimento.