Falcon pride – na revista Facebrasil 55

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ORIENTE MÉDIO MANTÉM VIVA A TRADIÇÃO DA FALCOARIA E GARANTE ÀS AVES REGALIAS COMO HOSPITAL PRÓPRIO E PASSAPORTE.

A parceria bem-sucedida entre beduínos e falcões é levada a sério por membros de todos as camadas sociais do Oriente Médio, sendo que alguns dos maiores entusiastas da prática são da própria família real de Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes.

Reza a tradição que, num passado distante, os locais contavam com as aves para caçar presas no deserto. Muito mais que bichos de estimação, os falcões são quase sagrados para os emiratis, que dão a eles passaporte, visto e direito a viajar nas cabines executivas dos voos da Etihad.

Mantidos no conforto do ar condicionado e com regalias que fariam inveja a qualquer mortal, os animais podem custar mais de 90 mil dólares e encontram em Abu Dhabi um hospital todo dedicado ao cuidado e manutenção de sua saúde. Durante o inverno, os pássaros são levados ao deserto para esbanjar sua boa forma e fazer valer a tradição: entre as dunas da região, os animais voam rumo a balões vermelhos suspensos no ar, como parte de seu treinamento. Quando devidamente preparadas, as aves têm suas habilidades exploradas por nobres locais, que as levam em caçadas pelo mundo.

Voltando aos dedos que zelam por seu bem-estar, os bichanos são recebidos com recompensas saborosas, e logo são apaziguados com as burcas – isso mesmo, os falcões têm a cabeça coberta por uma espécie de capacete de couro, chamada pelo mesmo nome das vestimentas femininas da região. Com os olhos cobertos, as aves ficam mais mansas e não correm o risco de atacar os seus companheiros nem de se machucar ao tentar voar enquanto uma de suas patas segue amarrada.

Questionado sobre o treinamento dos animais, um especialista emirati afirma que é bobagem comparar o comportamento dos falcões ao de outros animais domésticos, porque eles nunca perdem seu instinto selvagem e porque eles parecem entender (ou sentir, pelo menos) honra e orgulho: “Quando solto um deles ao ar e ele não encontra uma presa ou não consegue caçá-la, percebo que fica envergonhado, como se soubesse que falhou em uma missão”, garante o treinador. Por essas e outras, nos Emirados Árabes, é o falcão o melhor amigo do homem.