Explicar decisões às crianças ajuda na formação de adultos com mais autonomia

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Quantas vezes você fala “não” para o seu filho? Para seu aluno?

E quantas vezes você fala sim, no dia a dia?

Você consegue justificar cada uma delas?

Por que sim?

Quando criança, nunca se questiona os pais quando recebemos um sim.

Mas e os nãos? Vêm sempre seguidos de “por quê?”. E muitas vezes a resposta sai “porque não”. Quem gosta de uma resposta dessas?

E ainda, será que não deveríamos aprender a questionar também os sins?

Na minha opinião, e na do construtivismo, o objetivo da educação é formar seres autônomos, que conseguem se autorregular da melhor forma possível. Mas isso só ocorre com a tomada de consciência, por parte da criança, dos processos que levam os pais e professores a escolher entre sim e não quando preciso e a refletir quando dizer sim ou não para si mesmos e para o mundo.

Eu me questiono sempre quando penso no meu trabalho de educadora: será que estamos cotidianamente buscando ajudar nossas crianças a se tornarem esses cidadãos autônomos e inteligentes socioemocionalmente?

Esse termo, desenvolvimento socioemocional, chamou minha atenção há pouco tempo. Seu conceito e sua aplicabilidade têm sido discutidos recentemente entre educadores e pesquisadores.

O site Porvir lançou, em março de 2014, a seguinte notícia: “Perseverança, resiliência, determinação, abertura ao outro. O MEC (Ministério da Educação) está de olho nessas características, que vêm sendo chamadas de habilidades socioemocionais, e anunciou medidas que visam promovê-las durante o Fórum Internacional de Políticas Públicas Educar para as competências do século 21. […] O debate é novo em todo o mundo e ainda há muito a ser descoberto, mas já se sabe que tais habilidades devem ser estimuladas já a partir da primeira infância, os professores devem receber uma formação para trabalharem com o tema e o esforço deve envolver diferentes fatores – governos, escolas, famílias e alunos”.

Escolas pelo mundo todo buscam (cada uma em seu tempo e dentro de suas possibilidades) cuidar desse aspecto da formação – paralelamente às habilidades cognitivas pertinentes a cada idade. Minha ansiedade pessoal é que esses conceitos e instruções de “como fazer” cheguem logo aos pais e público em geral, para que possamos em conjunto trabalhar melhor no sentido de uma formação holística das crianças.

O que eu gostaria de saber hoje é se, mesmo sem o conhecimento de desenvolvimento socioemocional por parte da grande maioria de educadores e pais, as crianças pelo mundo estão tendo o que já sabemos ser tão importante: o tempo e as oportunidades para se conhecerem e explorarem o mundo de forma cada vez mais autônoma, positiva e criativa, para então serem capazes de escolher o que eles querem verdadeiramente “ser na vida”.

Taciana Vaz é formada em Letras e dá aulas de idiomas. Autora do blog namochiladataci.blogspot.com.br, gosta de ler e escrever sobre educação, viajar e trocar conhecimento mundo afora.

Revista Facebrasil – Edição 51 – 2015
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