O dólar fechou em alta ante o real e a bolsa caiu nesta segunda-feira (14), após oscilações durante a sessão, refletindo novamente o desconforto do mercado com a guerra tarifária desencadeada pelos Estados Unidos e seus efeitos sobre a economia brasileira.
O dólar à vista subiu 0,69%, a R$ 5,5865 na venda, no maior valor de fechamento desde 5 de junho, quando encerrou em R$ 5,5871.
Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, teve sua sexta queda seguida, com uma baixa de 0,65%, a 135.298,99 pontos.
Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo uma modesta aversão ao risco nos mercados globais, o que afetava a moeda brasileira, uma vez que os mercados demonstravam pessimismo após Trump anunciar que vai impor tarifas de 30% sobre o México e a União Europeia a partir de 1º de agosto.
Cenário externo
O anúncio veio na esteira de outras ameaças feitas pelo presidente norte-americano ao longo da semana passada, que incluiu uma taxa tarifária de 50% sobre os produtos brasileiros, afastando as perspectivas otimistas que investidores tinham sobre o fechamento de acordos comerciais.
A expectativa anterior era de que Trump divulgasse pactos comerciais com uma série de parceiros ao longo da última semana, conforme se aproximava o prazo de 9 de julho que ele havia determinado para negociações. O presidente, entretanto, avançou com ainda mais ameaças.
Por outro lado, apesar do pessimismo, os mercados permaneciam cautelosos, sem realizar grandes apostas, já que a Presidência de Trump tem sido marcada por adiamentos e recuos frequentes, que se seguem às suas ameaças.
“Nós acreditamos que o governo está usando sua última rodada de escalada nas tarifas para maximizar sua posição de negociação e vai, por fim, reduzir as tensões, especialmente se houver uma nova amostra de volatilidade nos mercados”, disseram analistas do banco UBS em nota.
O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,03%, a 97,920.
A divisa dos EUA também avançava ante pares do real, como o peso mexicano e o peso chileno.
Cenário no Brasil
Na cena doméstica, o mercado aguarda mais detalhes sobre o posicionamento do governo brasileiro diante da ameaça tarifária de Trump. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta-feira que vai negociar com os EUA, mas alertou que adotará a reciprocidade caso essas conversas não deem frutos.
Já Trump disse na sexta que pode conversar com Lula em algum momento, mas “agora não”.
Na frente de dados, o Banco Central informou mais cedo, ao divulgar seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que a atividade econômica brasileira interrompeu quatro meses seguidos de expansão e registrou em maio a primeira contração no ano, em resultado bem pior do que o esperado.
As atenções também devem se voltar nesta semana para o impasse em torno da tentativa do governo de elevar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras. O Supremo Tribunal Federal (STF) programou audiência de conciliação para terça-feira entre Executivo e Legislativo. (com informações Reuters)



