Covid-19: 2/3 das infecções são causadas por pessoas sem sintomas ou diagnóstico

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Medidas para combater o novo coronavírus estão se tornando mais rigorosas. As autoridades de Nova York (EUA), por exemplo, enviaram uma mensagem forte a seus habitantes: “Todos deveriam se comportar como se já estivessem expostos ao coronavírus”.

Esse alerta é sustentado por novas evidências científicas provenientes da análise de como o vírus se espalhou na China, o país onde a pandemia surgiu.

A pesquisa mostra que duas em cada três infecções do novo coronavírus foram causadas por pessoas que não foram diagnosticadas com o vírus ou que não apresentavam sintomas.

“A explosão de casos da Covid-19 na China foi em grande parte causada por pessoas com sintomas leves, limitados ou inexistentes que não foram detectados”, disse Jeffrey Shaman, professor de Ciências da Saúde Ambiental da Universidade Columbia e coautor da pesquisa. “Os casos não detectados podem expor uma parcela muito maior da população ao vírus”, afirmou.

Isso significa que as pessoas infectadas que se sentem saudáveis ou têm sintomas muito leves estão espalhando o vírus sem perceber.

As descobertas de Jeffrey Shaman revelam que o número real de pessoas infectadas em todo o mundo é muito maior do que o mostrado por números oficiais, porque muitas pessoas não sabem que têm o vírus e o transmitem.

Shaman chama esse fenômeno de “transmissão secreta” e argumenta que ela representa um grande desafio para conter o surto.

Os cientistas dizem que a probabilidade é que haja entre cinco e dez pessoas sem diagnóstico para cada caso confirmado. Nos estágios iniciais da epidemia na China, o número era de seis ou sete pessoas, mostra a pesquisa.

As pesquisas também mostram que os esforços do governo e a conscientização dos cidadãos reduziram a taxa de contágio na China. Depois que restrições de viagem e outras medidas de controle foram impostas, o vírus começou a se espalhar mais lentamente.

O estudo alerta que, para controlar a propagação, “é necessário um aumento radical na identificação e o isolamento dos infectados que ainda não foram documentados”.

Enquanto isso, especialistas em epidemiologia recomendam o “distanciamento social”, mesmo entre pessoas sem sintomas, como uma prática eficaz para impedir a propagação do vírus.

O distanciamento social inclui comportamentos como trabalhar em casa, sair sozinho para lugares essenciais, como supermercados, evitar multidões e evitar o transporte público nos horários de pico. (Por BBC)