Comportamento: Comentar ou bloquear?

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No dia 26 de outubro, o Brasil descobriu quem será presidente pelos próximos quatro anos: Dilma. Se há poucos meses o assunto mais constante era o próximo jogo da Copa do Mundo, tempos antes do primeiro turno das eleições só se falava em debates e votos. E, se já compartilhamos quase toda a nossa vida nas redes, claro que o tema tem migrado para as redes sociais, e a repercussão tem sido grande. Mas a troco de que fazemos questão de compartilhar nossas opiniões?

Outro dia conversei com uma pessoa que não achava correto outro usuário, mesmo sendo seu amigo no Facebook, pontuar questões contrárias ao teor ideológico de sua publicação – seja como forma de debate e contraponto, seja de maneira repressora, julgando seu ponto de vista. Nesse caso, o amigo foi excluído de sua lista.

Se temos botões para curtir, comentar e compartilhar, as opiniões devem ou não vir juntas?

Há pouco tempo, me animei por ter uma foto minha com quase cem curtidas no Facebook. Ao comemorar em voz alta, me questionaram se eu não estava querendo me exibir ou qualquer coisa do tipo. A partir de então, ficou a pergunta: se é uma rede social, para compartilhar experiências, opiniões, com qual objetivo dividimos parte de nossas vidas com centenas de amigos?

Já li estudos e falei com médicos que relataram a frustração das pessoas por não serem “correspondidas” nas redes sociais. Estamos mais ansiosos do que nunca, e muitos não têm mais critério entre o público e o privado. São pessoas fotografando vizinhos lavando a garagem e expondo seus rostos nas redes, jovens tirando selfies em velórios, e por aí vai. Existem ainda os que saem para se divertir mas não deixam o celular por nada. Não é raro ver casais jantando e notar que ambos estão mexendo em seus celulares, ao invés de aproveitar a companhia um do outro.

Juro que não me sinto frustrada se minhas postagens não geram grande repercussão, mas muito me contenta se vejo que minhas ideias e fotos agradam meu ciclo de amizades, mesmo que virtual.

Voltando às eleições e aos temas polêmicos que sempre causam debates: qual o limite das redes sociais?

Vejo que muitos gostam de expor suas opiniões e julgamentos na internet, mas, na hora de levar isso para a vida real, a coisa não é bem assim. Alguns fazem de um simples relato um verdadeiro show, sem antes pesar todos os lados. Chegamos então a outro ponto: devemos levar as discussões do Facebook para fora dele? Existe uma separação entre as relações virtuais e “reais”?

Por exemplo: supondo que você (leitor) e eu sejamos muito amigos, mas eu seja contrária ao seu partido e, no Facebook, você se expresse com um comentário em uma postagem minha de uma maneira que me desagrade. Até onde esse desacordo deve chegar? Posso até bloqueá-lo em minha lista virtual de amigos, mas vou bloqueá-lo da minha vida real?

Não acho que essas perguntas tenham respostas, mas acredito que já estejamos em tempo de refletir a respeito. E aí, qual é o objetivo de suas postagens nas redes sociais?

Thieny Moltini é repórter, autora do blog mudancadehabito.net e descobriu, há pouco tempo, uma nova forma de ver a vida e superar seus limites.

Revista Facebrasil – Edição 45 – 2014