Bitcoins – na revista Facebrasil 78

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Bitcoins

por Fred Ferreira

Lá no início das primeiras civilizações, não havia uma moeda; os homens praticavam o comércio por meio do escambo, a simples troca de uma mercadoria por outra. Se um tinha pão e o outro tinha o leite, em uma simples barga- nha os dois tinham seu café da manhã comple- to. Com o tempo, pela lei da oferta e da procu- ra, alguns produtos começaram a valer muito mais que os outros, por isso, fez-se necessária a criação de uma moeda. O metal substituiu o escambo, depois veio o papel e então o plástico, com os famosos, amados e temidos cartões de crédito. Hoje em dia, o metal e o papel estão cada vez mais em desuso, e o dinheiro, virtual. Mas onde isso vai parar? Quão virtual o dinheiro pode se tornar? Talvez os bitcoins possam responder isso.

Mas, afinal, o que é um bitcoin?

Você vai encontrar muita informação, espe- culação e teorias sobre os bitcoins na internet. Vai ler que são moedas criadas por um fantas- ma do Japão chamado Satoshi Nakamoto, que, na verdade, pode se chamar Craig Wright e ser da Austrália; que são mineiradas por supercom- putadores; também vai ler sobre blockchain, criptomoedas, ICO, entre outras coisas. Mas o mais importante que você precisa saber é que o bitcoin é uma moeda digital, mundial e descen- tralizada, e isso, caro leitor, pode mudar tudo.

Você pode mexer nos seus bolsos, quebrar o seu cofrinho, abrir sua carteira, mas você não vai encontrar fisicamente um bitcoin, porque se trata de uma moeda digital. Ela não é produzida por um banco central, não tem estampada a foto de ex-presidentes ou animais em extinção; ela simplesmente é criada por com- putadores, sem intermediadores financeiros, sem margem para corrupção ou manipulação. É um sistema econômico alternativo imune a falsificação, que pode mudar o controle sobre o dinheiro, poder e influência das poucas pessoas que controlam as cifras ao redor do mundo. O que me lembra a segunda característica: o bitcoin é uma moeda mundial, sem influência de câmbio, inflação, balanças comerciais ou bancos centrais; ela entra e sai sem pedir permissão, não respeita as regras de sua bandeira, porque não tem uma, e por ser descentralizada, não pode ser controlada ou contida.

Será que estamos caminhando para um futuro no qual tudo será unificado, em que nos- so dinheiro falará apenas uma língua? Ou será que, na verdade, estamos retrocedendo para o tempo em que não havia moedas e tudo era fei- to à base do escambo, e viveremos da troca de bitcoins?

Na dúvida, é melhor ter algumas dessas moedas virtuais guardadas, porque um dia desses você pode acordar em um mundo totalmen- te diferente, em que o dinheiro como conhece hoje só terá valor para um colecionador – e você terá que começar de novo, bit a bit, uma fração de bitcoins por vez.