Assim seja por Marco Alevato – na revista Facebrasil 63

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por Marco Alevato

Quando a gente entra em contato com um novo idioma, descobrimos novas palavras difíceis de traduzir, mas fáceis de entender. Saudade é um exemplo que a gente conhece bem: em qualquer outra língua, temos de nos contentar com expressões semelhantes para reproduzir um pensamento (ou sentimento) tão familiar.

O que significa?

No árabe, a expressão “maktub” se enquadra bem nessa categoria. Embora não tenha uma tradução exata, ela quer dizer algo como “estava escrito” – o nosso bom e velho “era para ser”. Mas o motivo pelo qual vos escrevo isso passa longe de questões linguísticas. Apelo à sabedoria “maktub” para tratar de uma questão que tem ganhado fôlego: brasileiros recém-chegados aos EUA enfrentando problemas com brasileiros já estabelecidos por aqui.

Sei na pele que a adaptação em terras estrangeiras é complicada e, sem tomar partido de um ou de outro, apenas como observador, acredito que muitos desses problemas têm raízes na formação do povo brasileiro – mas provar esse ponto de vista requer grande estudo, e não é esse meu objetivo. O que gostaria é tão simplesmente que o respeito de quem chega espelhasse o respeito de quem já está. Talvez falte um pouco de maturidade.

De qualquer forma, vale dizer mais uma vez que vida de imigrante não é nada fácil: muitos que aqui chegam, por muitos motivos, não ficam – uns por conta da saudade, outros por conta do idioma, outros por conta do dinheiro. Isso sempre foi assim e sempre será.

Nos meus muitos anos de imigrante, cheguei à conclusão de que os que conseguem ficar são os sem limites ou, como se diz aqui, os “limitless”. Recentemente, porém, passamos a ter de nos relacionar com os famigerados grupos do Facebook, que são mais ou menos como a vizinha fofoqueira: ninguém dá muita atenção, mas todo mundo comenta e abre as portas e os ouvidos para saber da desgraça alheia. Outra verdade é que os que ajudam(-se) são muito poucos – mas isso é outra história.

Jogos Olímpicos 2016

O show de abertura dos Jogos de verão no Rio de Janeiro, minha cidade natal, no novo Maracanã, foi espetacular. Independentemente dos problemas do entorno, se a última coisa que sobrasse da humanidade fosse uma cópia do show, poderíamos nos orgulhar de nossa espécie, foi um milagre.

Não na minha opinião, foi a prova de que a competência faz a diferença – e assim é também a Facebrasil: um milagre de Deus, realizado por muitas mãos competentes, que todos os meses conseguem se reinventar e ser, a cada edição, a revista mais bonita de nossa comunidade.

Mais do que todo o conteúdo original aqui nestas páginas, levamos ao ar nosso novo website – que está lindo e merece a sua visita!

Outro milagre que também é fruto de muito trabalho diário é a nossa nova página do Facebook, que passou a ser gerida à luz de novos conceitos. Começamos tudo do zero, para fazer bem feito – e ainda tem muita coisa boa por vir. A Facebrasil é assim: respeita quem está de passagem e quem veio definitivamente, porque, no final das contas, todos construímos uma comunidade brasileira com o melhor de cada brasileiro – mas isso é sorte. Maktub!

A festa continua. Até a próxima!