A arte de saber escutar

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Saber escutar é uma arte, um diferencial importantíssimo nos relacionamentos e na vida profissional. O escritor Rubem Alves, em uma de suas crônicas, disse que muitos querem aprender a falar, mas poucos querem aprender a ouvir. Por esse motivo, encontramos tantos cursos de oratória, mas nenhum de “escutatória”.

O aumento surpreendente do número de informações disponíveis e a sensação de impotência e falta de tempo devido ao avanço tecnológico geram justificativas para a falta de “presença”, seja no ambiente familiar, seja no profissional.Que atire a primeira pedra quem nunca se pegou, durante a fala de alguém, pensando no que iria dizer, comentar ou criticar posteriormente. Quantas vezes não lançamos comentários que já estavam prontos, antes mesmo de refletirmos sobre o que o outro quis dizer?

Por que não utilizar seu tempo para realmente estar aqui e agora? Estar entregue às situações exige treino e autoconhecimento. Escutar, de maneira diferenciada, vai além de ater-se às palavras. É preciso decifrar no outro as emoções que estão sendo transmitidas simultaneamente. Será que existe harmonia entre o que está sendo dito, o tom de voz e a expressão corporal do narrador? Ou é um narrador daqueles que se dizem calmos, mas balançam a perna de ansiedade ao mesmo tempo?

Tudo isso não é tarefa fácil. Segundo o psicólogo americano Daniel Goleman, em seu livro sobre inteligência emocional, quanto mais abertos estamos para as nossas emoções, mais hábeis seremos na leitura dos sentimentos. Preocupações que não nos levam a nada, dificuldade de controle de impulsos que impede a concentração e falta de conhecimento dificultam essa arte.

O autoconhecimento é fundamental. Saber identificar suas próprias emoções, o que desperta seus medos, desejos e reações, é algo indispensável para ler o outro. O mais interessante é que o próprio ato de escutar alguém pode aumentar o nosso autoconhecimento. Segundo o escritor Oscar Wilde, para saber um mínimo sobre si próprio, é necessário saber tudo sobre os outros. Então, que tal começar a exercitar sua escuta diferenciada?

Marina Zema é formada em psicologia e trabalha com desenvolvimento de pessoas. Gosta de ouvir para descobrir o mundo particular de cada locutor e assim conhecer melhor seu próprio interior.

Revista Facebrasil – Edição 45 – 2014