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Brasil “exporta” 1/3 do PIB em recursos para exterior

No final de 2017, cerca de 500 bilhões de dólares foram oficialmente investidos no exterior. Se contarmos os investimentos diretos e os via offshores, 60% desses recursos foram para os EUA.

Com a “descoberta” de investimento em projetos de EB-5, o número de vistos foi aumentando exponencialmente. Há dois anos foram emitidos 27 vistos EB-5, número que subiu para 282 no ano passado e deve passar de 500 neste ano. Isso colocará o Brasil perto de atingir os 7,2% de limite do país, trazendo a indesejável demora de mais alguns anos para ser contemplado com o Green Card condicional.

Em recente ciclo de palestras no Brasil, mais uma má surpresa: de 80 pessoas esperadas para o evento de como investir nos EUA e viver legalmente no país, mais de 260 empresários e investidores apareceram na sede da Federação das Indústrias da Amazônia, mostrando bem a insegurança que se espraia pelo país. Não mais apenas a insegurança pessoal, mas também institucional e com relação à possibilidade de recuperação econômica do país, independentemente de quem vença as eleições.

Mas aí começam os principais problemas da nossa cultura. Mesmo entendendo que, se ganhar um candidato conservador e liberal, o dólar, no máximo, baixa cerca de 5% do atual patamar, preferem arriscar que o dólar suba mais de 20% ou 30%, para ter a “chance” de fazer um bom negócio!!! Também creem, a grande maioria, que internacionalizar ou globalizar sua empresa é uma medida de desespero, de fuga, e não parte de um planejamento estratégico sério e sóbrio que qualquer investidor deve fazer, tanto em termos empresariais como em termos familiares, com prazos e ações bem estruturadas.

Por outro lado, vem aos EUA uma boa parte com a impressão de estar chegando a um paraíso, como se a fantasia da Disney se estendesse ao país como um todo, aos americanos e aos brasileiros que aqui já chegaram antes. Aconselham-se com alguém que fala português e que conheceu no supermercado, no parque, com um amigo que jogou bola ou um amoroso vizinho. As consequências vemos a cada dia nos jornais, de empreendimentos sem sucesso, prejuízos enormes por erros, incompetência ou mesmo desonestidade dos “conselheiros”.

Se vamos ter nossas despesas e investimentos em dólar, não cabe especular a taxa eventual de conversão do dia. Se vamos investir, temos que planejar em curto, médio e longo prazo. Temos que saber se teremos recursos para chegar ao ponto de equilíbrio, e mesmo ao ponto ideal da empresa, e se não tivermos os recursos de que precisamos, já planejar como obtê-los. Duro tem sido o aprendizado desses “cowboys”!